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Orçamento da saúde e da beleza deve incluir academia, acessórios esportivos, alimentos leves e remédios para doenças decorrentes da obesidade

Giovanna Ewbank mostra a barriguinha sarada no Instagram: tropicalidade do País reforça preocupação com estética e intensifica os gastos com produtos e serviços de beleza
Reprodução/Instagram
Giovanna Ewbank mostra a barriguinha sarada no Instagram: tropicalidade do País reforça preocupação com estética e intensifica os gastos com produtos e serviços de beleza

Quem já entrou em uma jornada em busca da boa forma sabe que manter um estilo de vida saudável em busca do corpo ideal é algo que exige disciplina, força de vontade e alguma dedicação financeira. Os alimentos mais leves não são os mais baratos, fazer academia implica em adicionar um novo gasto fixo ao orçamento e os tratamentos estéticos custam caro e duram longos meses – isso sem falar de manicure, pedicure e cabelereiro, despesas mais cotidianos no orçamento feminino.

Se você não desconhece quanto já gastou na empreitada da beleza, saiba que a maioria dos brasileiros é como você. Uma pesquisa recente realizada em parceria entre a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad), a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) e a farmacêutica Allergan, aponta que as pessoas acreditam ter desembolsado na vida toda, em média, R$ 1.500 em esforços para emagrecimento. Basta um olhar mais atento para saber que esse valor não chega nem perto da realidade.

O obesidade é citada como a principal "vilã" no desenvolvimento do diabetes tipo 2
PA
O obesidade é citada como a principal "vilã" no desenvolvimento do diabetes tipo 2

“A população não tem conhecimento real de quanto em valores já gastaram no tratamento para emagrecer, pois elas apenas calculam os custos diretos como medicamentos, procedimentos estéticos, entre outros”, conta Ricardo Dib, diretor da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.

Acabam ficando de fora outros gastos essenciais para manter o corpo em forma, como a academia, acessórios esportivos, alimentos específicos, além dos medicamentos para tratamento de patologias relacionadas à obesidade, como diabetes e hipertensão.

Em média, os consultados pela pesquisa se propõem a gastar um pouco mais que isso, dizendo que investiriam até R$ 3 mil em tratamentos de prazos mais longos. Mais um descolamento da realidade – a inserção do balão intragástrico, por exemplo, custa em média R$ 3.500 e o Brasil já é o maior consumidor desse produto no mundo, ultrapassando Itália e Espanha, segundo a Sobed. Em procedimentos cirúrgicos, no entanto, ainda não alcançamos a liderança. O Brasil hospeda, em média 60 mil cirurgias bariátricas por ano – nos Estados Unidos, esse número ultrapassa os 200 mil. O procedimento dificilmente sai por menos de R$ 15 mil.

Segundo Guilherme Dietze, economista da Fecomercio, o aumento dos gastos relacionados à vaidade é notável nos últimos três anos, graças à evolução da renda média do brasileiro. "A inflação dos serviços de estética está muito calcada nessa escalada da demanda sem ganhos importantes de oferta", diz.

No último levantamento da instituição com base na Pesquisa de Orçamento Familiar datada de 2008, os gastos médios por família com cabelereiro, por exemplo haviam evoluído 21%, com destaque para a classe E, que puxou o crescimento em 17%. Para fazer as unhas, o investimento é 18% maior por família – a classe E já gasta 48% mais com o serviço.

Atrás do balcão

Se por um lado os brasileiros não fazem as contas de quanto gastam para ficarem bonitos, por outro as empresas que atuam no setor percebem que ganham com essa fissura nacional pela beleza. Quem frequenta academias ou centros de estética sabe que nessa época do ano o cenário muda – salas cheias, revezamento na musculação e horários disputados nas clínicas passam a ser condição comum.

Luiz Urquiza, sócio-diretor da Bodytech
Divulgação
Luiz Urquiza, sócio-diretor da Bodytech

Na rede de academias Bodytech, a partir de outubro há aumento de até 10% no número de alunos e na freqüência dos matriculados – aqueles que pagam, mas não têm regularidade nas atividades. O faturamento da empresa, que tem 54 unidades, sobe 5% nesta época – a previsão de receita para este ano é de R$ 323 milhões. “Aproveitamos essa época para lançar programas específicos para perda de peso, por exemplo, que é o objetivo mais procurado pelos alunos que estão se preparando para o verão”, conta Luiz Urquiza, sócio diretor da rede.

O critério de escolha, segundo Urquiza, passa longe das relações de preço e reside no custo/benefício – segundo o empresário, cliente está disposto até a pagar mais caro para não acabar jogando o dinheiro fora. “Esse cara pouco habituado à regularidade das atividades tenderá a buscar uma academia com atividades que ele consiga manter regularidade, mesmo que ela custe um pouco mais caro.”

Na Pró-Corpo, clínica de estética de São Paulo, a alta de faturamento é de 30% nesta época do ano. Não só mais clientes aparecem para cuidar da beleza como o tíquete médio de quem já frequenta a clínica de Marisa Peraro acaba subindo. “O tíquete médio passa de R$ 750 para R$ 1,8 mil por mês”, explica a sócia da clínica.

Entre as adaptações que Marisa faz para receber o aumento de demanda está a elaboração de pacotes com mais sessões em menos tempo, de forma a intensificar os resultados. A empresária também procura escolher os tratamentos certos para as campanhas publicitárias. “Agora a gente vende massagem, lipocavitação, enfim, procedimentos para redução de medidas”, diz. “No inverno trabalhamos mais a depilação a laser, os tratamentos faciais e também os pós-operatórios.”

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