Veja onde investir com a queda dos juros

Especialistas recomendam fugir de aplicações atreladas à Selic e apostar na poupança, em títulos prefixados ou indexados à inflação

Danielle Brant, iG São Paulo |

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Segundo especialistas, investidores devem fugir de aplicações atreladas à Selic
A ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central que aponta para a Selic em um piso de 9% neste ano fez a alegria daqueles que criticam os altos juros praticados no país. No entanto, a sinalização deixou muitos investidores preocupados, principalmente os que aplicam em produtos que têm remuneração atrelada à taxa básica. A solução, de acordo com especialistas, é migrar para aplicações como caderneta de poupança ou alguns títulos do Tesouro Direto, no caso dos conservadores, ou mesmo em fundos multimercado, para os mais arrojados.

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A queda dos juros tem impacto sobre todos os investimentos atrelados à Selic – que hoje está em 9,75% ao ano – ou que tem desempenho conforme o indicador Certificado de Depósito Interbancário, que são títulos emitidos por bancos e são comprados por outros bancos. O CDI também tem como referência a Selic e que paga uma remuneração próxima à taxa.

“Os fundos DI, que são atrelados à CDI, tendem a sofrer mais com a queda dos juros. Isso já vem acontecendo desde agosto do ano passado, quando o BC começou a cortar a Selic”, explica Alexandre Espírito Santo, professor de finanças do Ibmec-RJ e economista da Way Investimentos. Papéis pós-fixados, indexados à Selic, também devem ser evitados, segundo o especialista. Nesse caso entram desde alguns fundos de renda fixa até títulos públicos como a Letra Financeira do Tesouro (LFT), ofertada no Tesouro Direto.

Poupança

Já a caderneta de poupança surge como um forte polo de atração de investidores, de acordo com Espírito Santo, pois rende uma taxa média de 0,5% ao mês, mais a Taxa de Referência calculada pela média dos Certificados de Depósitos Bancários (CDB), títulos de renda fixa ofertados pelos bancos no varejo. Isso dá um rendimento superior a 6% ao ano.

“A poupança também não paga imposto de renda ou taxa de administração, como os fundos de investimentos, o que a torna mais atraente para os investidores”, afirma o economista da Way Investimentos. “Se a rentabilidade do fundo de investimento é de 10% ao ano, e ele cobra uma taxa de administração de 2%, no final a rentabilidade vai ser de 8%. Com o pagamento do imposto de renda, você vai receber a mesma coisa que a poupança”, complementa Marcio Cardoso, sócio-diretor da Título Corretora.

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A poupança também conta com uma vantagem adicional: depósitos de até R$ 70 mil são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma associação de proteção ao sistema. O governo, porém, tem interesse em conter uma migração em massa para esse tipo de aplicação, ressalta Espírito Santo, do Ibmec-RJ.

“Ele precisa rolar sua dívida, mas quem compra título público são as pessoas que vão migrar para a caderneta se ela se tornar mais atraente”, afirma. Mas vale lembrar que em ano eleitoral vai ser complicado mexer nessa aplicação, diz o economista da Way Investimentos. “É uma medida pouco popular, e deve encontrar resistência no Congresso”.

Investimentos prefixados e renda fixa

Outra escapatória que os investidores têm é correr para os investimentos prefixados, aqueles cuja rentabilidade é definida no momento da compra. Nesse grupo entram as Letras do Tesouro Nacional (LTN), também do Tesouro Direto, CDBs e alguns títulos de renda fixa, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários.

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Além do CRI, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito Agrícola (LCA), emitidas por bancos com lastro em operações imobiliárias ou agrícolas, podem surgir como boas opções também, afirma Cardoso, da Título Corretora. “Elas pagam uma taxa de juros um pouco menor, mas não precisam pagar imposto de renda e são asseguradas pelo Fundo Garantidor de Crédito”, explica.

Também é interessante aplicar em Nota do Tesouro Nacional, série B (NTN-B), que são títulos do Tesouro atrelados ao IPCA, a inflação oficial, explica Guilherme Cybrão Nascimento, analista da Trader Brasil. “Esses papéis pagam o IPCA do período mais o ganho real dos juros. Com a queda da Selic, a inflação tende a subir um pouco, então esses títulos são interessantes”, destaca.

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O investidor que não se importa em correr risco pode buscar retorno na bolsa ou em fundos multimercado, o qual pode ser composto por ativos de renda fixa e variável. “Além de melhorar a rentabilidade, ele pode diversificar a carteira em produtos que não estejam expostos totalmente à Selic”, afirma Cybrão Nascimento, que lembra que a bolsa é um investimento de longo prazo. Por isso, se a pessoa for precisar do dinheiro em um ano, o melhor é aplicar em título do governo, recomenda.

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