Tido como porto seguro em momentos de crise, metal acumula alta de 18,7% até agosto e lidera entre as aplicações no País

As aplicações em ouro podem fechar 2010 como as mais rentáveis do ano. O metal já acumula a maior valorização até agosto, de 18,7%, e deve seguir como uma boa alternativa para a diversificação das carteiras, segundo analistas, pelo menos enquanto permaneceram as incertezas em relação às economias desenvolvidas. As tensões em relação aos países europeus e aos Estados Unidos, que vêm provocando volatilidade dos mercados acionários, já contribuíram para que a rentabilidade do metal superasse a de outras modalidades de investimentos no Brasil. Na opinião de analistas, essa trajetória ascendente ainda não acabou.

Raridade faz do ouro um ativo seguro para momentos incertos dos mercados acionários
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Raridade faz do ouro um ativo seguro para momentos incertos dos mercados acionários
“O preço do ouro é o somatório das incertezas mundiais”, diz André Nunes, diretor da Associação Nacional do Ouro (Anoro). Para ele, enquanto as economias da Europa e dos Estados Unidos não mostrarem sinais de consistência, o preço do metal não deve cair. André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, concorda. “O ouro representa um porto seguro em momentos de incerteza. Para o investidor que acredita que as economias desenvolvidas vão desacelerar e a volatilidade dos mercados vai aumentar, é uma boa opção de investimento”, diz.

O ouro serve de proteção por sua raridade. Como é uma riqueza física e é um recurso limitado no mundo, as chances de perder valor são restritas. Assim, quando estão inseguros em relação às ações, os investidores tendem a se proteger com o metal precioso. Graficamente, é possível visualizar esse movimento nos preços do ouro e pontuações da Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa (veja o gráfico abaixo). Em diversos períodos de queda dos mercados acionários, o ouro apresentou ganho, e vice-versa. “Vemos que o comportamento é antagônico”, diz Milton Sanches, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e sócio-diretor da administradora de carteiras Fidus Invest.

No longo prazo, ganho limitado

Apesar de servir como proteção em momentos ruins de outros ativos, o ouro, quando analisado como investimento de longo prazo, mostra que seus ganhos costumam não ser tão expressivos como os de outros ativos, como as ações. Nos últimos sete anos, por exemplo, o metal subiu 260%, enquanto a Bovespa teve ganho de 490%. Por isso, os analistas sugerem que o investidor não aposte no ouro pela rentabilidade, mas sim pela segurança. O metal é um ativo para momentos incertos, e as expectativas de retorno devem ser depositadas em outras opções - como as ações -, e em momentos mais calmos, segundo eles. A recomendação dos especialistas é de que o ouro tenha uma fatia de 5% a 10% na carteira dos investidores.

Em relatório recente, economistas do Standard Bank projetaram alta para o preço do ouro no mercado internacional nos próximos seis meses. Eles esperam um pico de US$ 1.300 a onça (como é precificado o metal no mercado norte-americano), um ganho de 6% em relação aos atuais US$ 1.230. Depois, deve haver alguns meses de estabilidade no preço do ativo. Em seguida, ainda em 2011 e em 2012, deve haver uma queda, quando esperam alta dos juros nos países desenvolvidos. Segundo Nunes, da Anoro, quando os juros sobem, outros investimentos se tornam atrativos e o ouro começa a perder.

Há duas semanas, o Goldman Sachs também afirmou ter boas perspectivas para o ouro, que foi destacado pelos economistas do banco de investimentos entre as matérias-primas com melhores perspectivas no curto prazo. Eles apontavam a “atual fraqueza dos dados econômicos” como fator que deve contribuir para um “comportamento agitado” das matérias-primas.

OURO x IBOVESPA - Movimento Antagônico

Evolução do preço do contrato de ouro negociado na BM&FBovespa e da pontuação do principal índice de ações da Bolsa, em base 100

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