Thaís Helena Santos, de 27 anos, vai se casar em dezembro de 2011. Ela já tem o dinheiro da festa e do vestido e agora procura uma aplicação financeira. O seu objetivo é deixar o capital render, sem correr o risco de perder o que já conseguiu juntar. No fim do ano, quando chegar a hora de pagar as despesas do casamento, ela resgatará o que acumulou. Em situações assim, em que os recursos serão aplicados para o saque no curto prazo, a sugestão de especialistas é esquecer a bolsa de valores e buscar modalidades de renda fixa, que têm menor risco.
Dependendo do valor em mãos e da quantidade de meses até o dia de usar o dinheiro, as recomendações variam, mas não muito. Para quem pretende dar entrada em uma casa própria, comprar um carro ou pagar uma pós-graduação, por exemplo, as aplicações mais sugeridas pelos especialistas são duas modalidades de renda fixa, os títulos do Tesouro Direto e o CDB DI (Certificado de Depósito Bancário indexado ao Depósito Interbancário), que são títulos vendidos por bancos, em que o rendimento do dinheiro acompanha a taxa básica de juros brasileira, a Selic.
"Para não frustrar qualquer objetivo de curto prazo, a aplicação financeira tem que ser de renda fixa, porque se der um problema no caminho, a renda variável pode fazer com que ele perca o que tinha", diz o consultor financeiro Mauro Calil, autor do livro "A Receita do Bolo".
Modalidades de renda variável, como as ações de empresas em bolsa de valores, são arriscadas para pequenos períodos, diz Calil. "As ações não são recomendadas de jeito nenhum quando se tem um objetivo para o dinheiro. Caso ocorra uma crise financeira, por exemplo, o poupador pode ver seu dinheiro sumir de uma hora para outra e pode não ter tempo para recuperar tudo até o dia em que vai precisar do capital", acrescenta Wilson Pires, professor de Finanças da Fundação Educacional Inaciana (FEI).
Dentro do universo da renda fixa - que inclui também a poupança - os especialistas indicam o CDB DI e o Tesouro Direto por apostarem em alta ou manutenção do juro no curto prazo. Apesar de a presidenta Dilma Roussef ter declarado que pretende baixar o juro real no País (que é a Selic com o desconto da inflação), a opinião dos consultores, professores e profissionais do mercado consultados pelo iG é de que a taxa seguirá alta.
"Eu acho que a Selic vai subir. Pela primeira vez em muitos anos, temos inflação de demanda [quando a forte procura por bens e serviços leva as empresas a subirem os preços]", diz Ricardo Humberto Rocha, professor do Insper e do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA). Segundo ele, para controlar essa inflação, um dos principais instrumentos da equipe econômica do governo é o aumento do juro.
Assim, se a Selic subir, o rendimento do CDB DI também aumenta. Isso acontece porque essa modalidade de aplicação nada mais é do que um título que representa uma dívida do banco para com o investidor, cujo prêmio pago pela instituição tem como referência a taxa básica brasileira. Na hora de adquirir o título, o investidor negocia com a instituição bancária a porcentagem que vai receber do rendimento da aplicação. Quanto mais dinheiro e maior o prazo disponível, maior o poder de barganha do cliente. "Caso tenha R$ 60 mil ou mais, se ele pesquisar em vários bancos, pode conseguir até 102% do retorno", diz Rocha.
A recomendação de títulos do Tesouro Nacional segue a mesma linha de raciocínio do CDB DI. Flávio Lemos, coordenador da Trader Brasil Escola de Investidores, sugere as LFT (Letras Financeiras do Tesouro) e NTN-B (Nota do Tesouro Nacional de série B). A rentabilidade do primeiro tipo varia de acordo com a Selic, equanto o retorno das NTN-B depende da inflação.
"Eu aconselharia o investidor a comprar as LFT, que é um título sem risco, posfixado, e que vai acompanhar o juro", diz Lemos. Uma vantagem dessa aplicação em relação ao CDB DI é que o investidor adquire o título diretamente do governo - via instituições autorizadas - e não precisa pagar taxas cobradas pelos bancos. Por outro lado, o CDB traz comodidade para quem já é cliente de uma instituição bancária, pois basta fazer a transferência do dinheiro que está na conta para a aplicação.
As NTN-B estão entre as melhores opções na opinião de Lemos porque funcionam como uma proteção. Como o investidor tem o objetivo de adquirir bens ou serviços, que podem ficar mais caros durante o período em que o dinheiro será aplicado, a modalidade vai acompanhar eventuais aumentos de preços.
Nos dois casos sugeridos - CDB DI e Tesouro Direto - o imposto de renda (IR) pago pelo investidor acompanha a tabela regressiva de renda fixa. Se o resgate for feito em até seis meses, a taxa será de 22,5%. Caso a retirada seja nos meses seguintes, em até um ano, o rendimento terá um desconto de 20%. A poupança, que é isenta de IR, vale a pena quando o valor aplicado é pequeno, como no caso em que o investidor possui R$ 5 mil e pretende usar o dinheiro no fim do ano para pagar uma festa de formatura e uma viagem, por exemplo.
Com a ajuda de consultores financeiros, o iG selecionou modalidades de investimentos mais apropriadas para seis situações: pagar a festa de casamento no fim do ano, comprar um carro novo ou fazer uma viagem ao exterior em seis meses, abrir um negócio no início do ano que vem, dar entrada em uma casa própria ou pagar a festa de formatura. Em cada uma delas, o poupador começa com uma quantia de dinheiro. Em todos os casos, o objetivo é de curto prazo.
Concordo Plenamente com Douglas Santana.
Responder comentário | Denunciar comentárioPara um estrangeiro que queira fazer investimentos no país. Qual a forma legal? E quem ele deveria estar procurando para trazer o investimento? Há impostos e quanto?
Grato
Bené
De maneira concisa:
Provavelmente manterão A SELIC alta, SIM, inicialmente por todo este ano. Por um outro lado, o tal do JURO REAL que é [ SELIC - INFLAÇÃO ] tenderá a baixar, PELA TENDÊNCIA DE ALTA DA INFLAÇÃO, e muito menos provável, que pela intervenção de algum especialista.
Até eu que não sou especialista, nem do ramo, aposto na baixa do JURO REAL. Claro!
Minha proposta é apenas que entendamos bem a diferença entre [ TAXA SELIC ] e [ JURO REAL ], pois na SELIC os especialistas fazem o movimento dos dígitos, mas no JURO REAL a TAXA DE INFLAÇÃO é que produz a oscilação. E me parece que a taxa de inflação depende mais dos mercados [ DEMANDA X OFERTA ] do que da definição dos especialistas, pelos quais tenho muito respeito, por saber que macroeconomia é para especialistas de altíssimo nível.
Ótima matéria! Precisamos de mais artigos esclarecedores como este.
Uma breve partilha acerca de um dado da matéria:
Taxa básica de juros ou [ juros nominais ] = [ SELIC ] = 11,25% a.a. [ ao ano ]
Juro Real = [ SELIC = 11,25% ] - [ INFLAÇÃO = 5,75 ] = 5,5% a.a.
Então, respeitados cidadãos brasileiros, embora a matéria relate uma declaração da nossa ilustre presidenta, na qual afirma que "ela " pretende baixar o [ juro real ] no país, apenas queria partilhar que o que de fato baixa o [ juro real ] não é ninguém, senão a taxa de inflação que INEGAVELMENTE apresenta uma forte tendência de ALTA. E tanto assim o é, que tão logo a inflação aumente, o [ juro real ] diminuí, e depois muitos dirão: " Viram, nossa presidenta falou que iria baixar o [ juro real ], e "ela" conseguiu!
Me perdoem, mas não nos deixemos enganar! E é por isto que matérias esclarecedoras e importantes, como esta da Olívia Alonso, tem de ser sempre publicadas, para que nós que não somos da área econômica, passemos a entender cada vez mais acerca do complexo sistema macroeconômico que envolve uma nação e todas as demais do mundo, que participam do que chamamos de globalização.
Queria apenas ressaltar que não há necessariamente um mérito em [ juro real ] baixo, vide o da Venezuela que é de [ - 7,4% a.a. ], exatamente, NEGATIVO! Por que? Porque os juros nominais da Venezuela [ uma espécie de "SELIC" de lá ] é de: 10,58%, o que nos conduz a entender que naquele país, a inflação já bate na casa dos 17,98% a.a.
A mesma fórmula:
Se a " SELIC " deles é de [ 10,58% a.a. ], logo, o [ juro real ] de lá resulta de:
[ 10,58% = " SELIC " VENEZUELANA ] - [ 17,98% = INFLAÇÃO VENEZUELANA ] = - 7,4 a.a.
" SE CONTROLAR MACROECONOMIA FOSSE SIMPLES, NÃO SERIA NECESSÁRIO TANTOS ESPECIALISTAS "
Respeitados cidadãos: TORÇAMOS PARA QUE TUDO CORRA BEM, MAS NÃO NOS PERMITAMOS SER ENGANADOS.
QUE A PAZ ESTEJA COM TODOS VOCÊS
Mauricio Oued | 20/01/2011 20:55
Caro Dorival, infelizmente NÃO temos especialistas em Macro-economia, Não temos Governo, nem Judiciário capaz ( ou sério ) para acabar com a especulação das Instituições Financeiras. No mundo inteiro o lucro permitido às referidas Instituiçoes é no máximo de 30%,sobre o custo do dinheiro, aqui permitem, 1000 % ou mais. Nos EUA os juros permitidos atualmente a serem cobrados do consumidor/tomador é de oito (8)% a.a. Aqui, falta seriedade, vontade politica, a corrupção é institucionalizada, a malservação do dinheiro publico não tem fiscalização, NEM PUNIÇÃO. Veja que os 300 bilhoes de reserva estão aplicados em títulos estrangeiros, à juros de 1% a.a., e aqui o governo paga aos banqueiros, esse absurdo de 11,25% a.a.. A Lei 1521/51, fixa em 20% o lucro bruto sobre o custo do dinheiro. Sugiro que leia " OS PROTOCOLOS DOS SABIOS DO SIÃO " e entenderá o que acontece.
Denunciar comentário
Boa opcao de investimento
Responder comentário | Denunciar comentáriotenho uns 50 mil e gostaria de saber onde aplicar melhor esse capital durante um periodo de um ano. obrigado
Responder comentário | Denunciar comentárioRIcardo | 20/01/2011 18:43
Fica aqui minha opinião, alinhada com a dica da reportagem:
Denunciar comentário
1) Deixar aplicado em um título do tesouro (LTN) que segue a taxa SELIC
2) Caso não seja possível, por questões burocráticas, deixar aplicado no CDB DI e negociar com o gerente do banco a uma rentabilidade mínima de 97% do CDI
se eu tivesse 40 mil e fosse comprar um carro novo. que tipo de carro compraria? acho q a reportagem estah achando q o brasileiro tem dinheiro de sobra pra investir, nao? deveria ser uma coisa mais aplicavel a realidade do brasileiro ou a varais possiveis realidades...
Responder comentário | Denunciar comentárioOlá a todos!
Não só as informações sobre aplicações e rendimentos são superficiais como, também, indecifravéis por leigos como eu e que gostaria de obter informações mais concreetas e práticas. As informações nas materiais do IG são, em sua maioria, para quem já conhece o mercado, já é do ramo de resto fica a interrogação sobre como proceder para ganhar-se um algo a mais com pequenos valores que se tem e que não se sabe como fazer para render. Ou seja, conversa fiada com perda de tempo introduzida na net.
Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!