IR 2014: juros para antecipar a restituição chegam a 4,4%; compare as taxas

Por Taís Laporta - iG São Paulo

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Bancos privados subiram os juros, enquanto os públicos reduziram; opção só é vantajosa quando há dívida mais cara ou alguma emergência

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Juros máximos em 2013 eram de 2,99% ao mês nos maiores bancos

Os grandes bancos privados subiram as taxas de juros para antecipar a restituição do Imposto de Renda 2014. A cobrança chega a 4,4% ao mês no Itaú – em 2013, o valor máximo era de 2,99% mensais no HSBC.

Em contrapartida, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil passaram a oferecer condições melhores – a partir de 1,57% e 1,69%, respectivamente. No ano passado, cobravam juros mínimos de 2,20% e 2,13%.

"Só é vantajoso [antecipar a restituição] se você tiver uma dívida mais cara que os juros cobrados, como no cheque especial ou cartão de crédito, ou quando há necessidade de adquirir um bem com urgência, como um carro, por exemplo", explica o professor de finanças do Ibmec, Gilberto Braga.

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O docente lembra que, por tratar-se de uma operação de crédito com risco muito reduzido (já que o pagamento da restituição pela Receita é praticamente certo), juros muito altos não se justificam.

"Este tipo de empréstimo só vale a pena para quem paga juros maiores aos da antecipação pelos bancos", explica Wilson Muller, consultor do Vida Investe e educador financeiro da Fundação Cesp.

COMPARE OS VALORES OFERECIDOS PELOS BANCOS:

BANCORESTITUIÇÃO (%)LIMITE DO EMPRÉSTIMOJUROS MENSAIS
Banco do BrasilAté 100%Até R$ 20 milA partir de 1,69%
SantanderAté 100%De R$ 100 a R$ 10 milA partir de 2,20% 
HSBCAté 100%De R$ 300 a R$ 300 milDe 1,79% a 3,49%
Itaú UnibancoAté 100%De R$ 200 a R$ 5 mil4,4%
BradescoAté 100% (conta salário); até 80% (demais clientes)

Até R$ 20 milA partir de 2,27%
CaixaLimite de R$ 610,00 até R$ 20 milAté R$ 20 mil para não clientes; até R$ 30 mil para conta salárioDe 1,57% a 2,09%

* Valores pesquisados pelo IG em março de 2014

O crédito consignado para trabalhadores do setor privado – com desconto em folha de pagamento – pratica juros entre 2% e 3% ao mês.

Como em qualquer outra operação de crédito, vale lembrar que a antecipação da restituição, além dos juros, tem o custo efetivo total (CET), que inclui a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) quando o total do crédito é usado no prazo de 30 dias.

Quem pretende comprar algum bem com a restituição antecipada, como eletrônicos ou móveis,  pode encontrar opções de crédito mais baratas no mercado, aconselha Muller, da Cesp. “O crédito consignado tem juros bem mais vantajosos (em torno de 2% ao mês para os beneficiários do INSS) que os oferecidos pela antecipação”, diz.

Se a intenção do empréstimo é comprar um carro, as taxas de financiamento no mercado variam entre 1% e 3% ao mês, segundo dados do Banco Central. Com juros mensais acima deste valor na restituição, pode ser mais vantajoso financiar o automóvel pela via tradicional.

Malha fina pode complicar pagamento da dívida

Quem opta por antecipar a restituição não está livre de riscos. Se o contribuinte cair na malha fina – quando a Receita retém a declaração para análise de dados – ele corre o risco de não conseguir quitar a dívida no prazo estipulado. Se isso ocorrer, os bancos debitam o valor devido da conta do cliente e cobram uma nova dívida, a juros mais altos.

“Por isso é fundamental preencher a declaração corretamente, a fim de evitar problemas com o Leão e com o banco onde foi obtido o crédito”, avalia o professor de Mercado Financeiro e de Capitais da Trevisan Escola de Negócios, Helvídio Prisco.

Como funciona a antecipação nos bancos

Para ter acesso ao crédito, o cliente deve possuir uma conta corrente no banco escolhido. No Santander e no HSBC, o empréstimo é sujeito a aprovação. Em bancos como Itaú e Bradesco, o crédito é pré-aprovado.

Todos os bancos aceitam financiar até 100% do valor da restituição. O Bradesco, contudo, só oferece o benefício para clientes com conta salário. Para os demais, o limite do crédito do banco é de 80% da restituição.

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A dívida é quitada em parcela única no dia do pagamento da restituição ou até uma data estabelecida pelo banco. Os valores financiados têm limite mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 30 mil. No ano passado, o Banco do Brasil desembolsou cerca de R$ 440 milhões em 233 mil antecipações.

É preciso apresentar documentos pessoais – como CPF e comprovante de residência – e uma cópia da declaração do Imposto de Renda 2014 (ano-base 2013), preenchida com os dados da conta na qual será feito o depósito da restituição.

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