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O novo extrato do Tesouro Direto, anunciado na sexta-feira pelo Tesouro Nacional, promete deixar mais fácil o acompanhamento da aplicação em títulos públicos, que registra rendimentos competitivos em comparação a outras aplicações financeiras de renda fixa. A compra de títulos do Tesouro é um dos investimentos mais rentáveis e relativamente seguros no Brasil, avaliam economistas. Pode-se começar o investimento com pouco mais de R$ 100, ou 20% do valor do papel. A dica é escolher um título que se adeque ao seu prefil.

"Os indexados à inflação têm perfil de longo prazo, servem para quem pensa em dinheiro para se aposentar, quer fazer uma poupança para um filho. Os pré-fixados dão a vantagem de o investidor saber quanto vai receber, têm rendimento garantido na data do vencimento. São os mais indicados para médio e curto prazo", explica Flavia Barbosa, gerente adjunta de relacionamento institucional do Tesouro Nacional.

Criado em 2002 para popularizar a aplicação em papéis do governo, o Tesouro Direto permite que pessoas físicas comprem títulos públicos diretamente pela internet. É preciso, no entanto, pagar uma taxa a uma corretora que servirá como agente de custódia. Ela será responsável pela liquidação de operações, ou seja, repassa os valores entre o Tesouro e os investidores. O Imposto de Renda só é cobrado no momento da venda ou vencimento do título.

"Na hora de eleger um agende de custódia, é importante verificar qual a taxa cobrada ( veja aqui ). O ideal é escolher instituições que não cobrem nada. Mas se o investidor for aplicar pequenas quantias, é bom estar atento ainda aos valores de DOC e TED. Gastar R$ 10 em DOC para uma aplicação de R$ 100 pode não valer a pena. Uma saída é comprar os títulos no banco onde se tem conta", sugere Myrian Lund, planejadora financeira e professora de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV). "As corretoras que não cobram taxa geralmente trabalham mais com ações e vêem quem investe em letras como um possível investidor do mercado acionário no futuro".

Cadastro

Para começar a investir no Tesouro Direto, a pessoa deve se cadastrar no agente de custódia. Os documentos necessários são os mesmos para a abertura de uma conta em banco: cópia do CPF, da identidade e do comprovante de residência. Além deles, deve-se preencher a ficha de cadastro da corretora e reconhecer firma em cartório. A corretora, então, providencia o cadastro e entrega por e-mail ao investidor uma senha com a qual ele pode comprar ou vender os títulos no site Tesouro Direto.

Muitos candidatos a investidores reclamam, entretanto, que a senha demora para chegar.

"Aconselho as pessoas que esperem cerca de duas semanas pela senha. Na primeira semana, a corretora faz a análise dos documentos apresentados, checa alguma pendência. A segunda é o tempo hábil para que o cadastro seja efetivado e a senha gerada. Muitas vezes o investidor fica ansioso para aplicar logo o dinheiro disponível, para que não fique parado. Mas ser um iniciante no Tesouro Direto requer um pouco de paciência", recomenda Myrian.

De acordo com o Tesouro Nacional, depois que o agente de custódia registra as informações do investidor no sistema da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CLBC), a corretora tem até 24 horas para enviar a senha.

"A demoras pode ocorrer no preenchimento do cadastro. Mas depois que todas as informações chegam à CLBC, o procedimento é simples e rápido. Não leva mais do que um dia", sustenta Flavia Fernandes.

Escolha

Para escolher como aplicar no Tesouro Direto, Myrian ensina um mantra: "Quanto menor o prazo, menor o risco. Quanto maior o prazo, maior o risco". Há diferentes modalidades de papéis disponíveis: indexados ao IPCA, préfixados e os indexados à taxa básica de juros (Selic). A escolha deve ser baseada no objetivo do investidor.

"Os títulos indexados ao cálculo da inflação (IPCA) são excelentes para quem pensa na aposentadoria, porque garante o poder de compra apesar da inflação e ainda tem um ganho real de média de 6% ao ano. Os préfixados são bons para investidores otimistas com o crescimento econômico do Brasil, com a queda da Selic. Por exemplo, o título NTN-F com vencimento em 2017 tem atualmente uma valorização de 13,10% ao ano. Por ser um papel de prazo maior, fica mais difícil prever o quanto estará valendo em 2017. Se a economia estiver bem, o título será ótimo. Se estiver mal, não se ganha muito com ele. Os papéis indexados diretamente à Selic são para perfis conservadores. Como o mercado financeiro trabalha 252 dias por ano, o detentor do título sabe que ele vai ganhar a cada dia 1/252 da Selic, que atualmente está em 8,75%. É para quem não quer fazer aposta nenhuma", explica a planejadora financeira.

Não é difícil gerenciar os títulos, dizem Myriam e Flávia. O acompanhamento é feito no site do Tesouro Direto, usando a mesma senha recebida para a compra e venda de papéis, e lá é possível checar diariamente por quanto se poderia vender o título naquela data.

Com o novo detalhamento do extrato, será possível ver informações adicionais, como valores referentes ao Imposto de Renda e ao Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), taxas que a BM&FBovespa e a corretora contratada cobram na data e a rentabilidade acumulada desde a compra do título. Além disso,será possível verificar a rentabilidade bruta da aplicação em um mês ou ano específico ou nos últimos 12 meses.

Quando o título vence, o investidor recebe em sua conta corrente o valor pelo qual estava cotado no dia, mais os rendimentos, como foi pactuado. Mas se não quiser esperar o vencimento, pode vendê-lo também pela internet. Toda quarta-feira o Tesouro compra papéis.

"Não há prazo de carência. O investidor pode, inclusive, vender todos os títulos de sua carteira no mesmo dia, se quiser", esclarece Flávia.

Fora do vencimento, o Tesouro compra os títulos a preço de mercado. "Pode estar acima ou abaixo do que você comprou. Pode-se ganhar ou perder, porque quem compra quer ganhar mais", observa Myriam. "É como se fosse um imóvel. Se tiver que vender de repente, ele pode estar valorizado ou não".

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