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Finanças Pessoais
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Águas de São Pedro, capital da poupança

Prefeitura estima que mais de 50% da população da cidade está na terceira idade

AE |

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Oswaldo Faustino nasceu e trabalhou em São Paulo. Era gerente financeiro de uma grande empresa. Ao se aposentar, deixou a capital em busca de tranquilidade. Pegou a estrada e seguiu por 170 quilômetros até Águas de São Pedro, o segundo menor município brasileiro em território. A mudança ocorreu há 20 anos e o economista levou tudo: carro, livros e o dinheiro que havia guardado. 

Oswaldo não foi o único. Metade dos pouco mais de 2 mil habitantes da cidade tem mais de 60 anos e boa parte chegou após a aposentadoria. Juntos, levaram Águas de São Pedro à maior média de poupança por morador do País: R$ 10.041,85. No restante do Brasil, 54,2% das cadernetas têm menos de R$ 100,00. 

Levantamento feito pelo Estado com dados do Banco Central e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que as cidades em que mais se poupa no Brasil têm características parecidas: ou são oásis de aposentados ou têm grande influência italiana ou alemã. A primeira da lista, a estância de Águas de São Pedro, na região de Piracicaba, é um verdadeiro ímã de idosos: a prefeitura estima que mais de 50% da população está na terceira idade. 

Clientes como o economista Faustino, ex-gerente financeiro de uma subsidiária da Petrobrás, fazem a média da poupança por habitante ser mais de duas vezes superior à de São Paulo e Rio. "É uma cidade pequena e com muitos aposentados que têm bom nível de rendimento. Eram funcionários públicos, juízes, engenheiros e executivos que se mudaram após a aposentadoria e levaram a poupança acumulada por toda a vida para a cidade", diz o superintendente do Banco do Brasil para a região, Oton Gonçales. De olho no potencial, três bancos têm agências no centro de Águas, como é chamada pelos moradores. 

Fonte terapêutica. A relação dos idosos com a cidade é antiga. Em 1920, o governo procurou petróleo na região. Mas, em vez do óleo, era água que jorrava dos poços. Anos depois, descobriu-se que o líquido era terapêutico e milhares de pessoas, especialmente idosos, passaram a procurar as fontes para tratar doenças como reumatismo e artrite. 

Com apenas três pizzarias, uma galeria de lojas, duas farmácias, meia dúzia de igrejas e atividades esportivas gratuitas oferecidas pela prefeitura, os aposentados de Águas também não têm com o que gastar. 

"É só comida e aluguel mesmo", diz o oficial reformado da Força Aérea, Oswaldo Di Martino, 76 anos, outro "retirante" da capital. Pela manhã, eles costumam fazer aulas de alongamento, vôlei e dança na quadra municipal. À tarde, jogam bocha, levam os bichos para passear ou se banham, por R$ 5, nas águas medicinais do balneário administrado pela prefeitura. 

Mas não é apenas a riqueza acumulada dos moradores que explica o resultado no ranking. A idade também influencia na escolha pela caderneta. "É um público mais conservador, que prefere um investimento com mais segurança que rentabilidade", diz o superintendente do BB. "Eles não gostam muito de se arriscar." Economistas dizem que a exposição ao risco dos investidores deve diminuir no mesmo ritmo em que a idade avança. Em Águas de São Pedro, a receita é seguida à risca. 

"Tenho um pouquinho na poupança e outro pouquinho em CDB. Até falo para amigos de outras opções, mas são muito conservadores, precavidos", diz Faustino. Em 2009, o economista voltou à ativa e aceitou o convite do prefeito para a secretaria de administração da estância. 

São Caetano 

A 200 quilômetros de Águas de São Pedro, São Caetano do Sul ocupa o segundo lugar no ranking, com R$ 8.751 por morador. Na cidade do ABC paulista, idosos também têm peso grande. Os habitantes com mais de 60 anos já são 19,2% da população - mais que o dobro da média nacional de 8,6%. Boa parte é descendente de italianos. 

Em algumas famílias que migraram para o Brasil no século passado, como as italianas, a cultura da poupança é muito forte, especialmente entre os mais velhos, que sofreram com a guerra. 

Além dos idosos, São Caetano tem ajuda dos mais novos. Sede da General Motors, orgulha-se de ter o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil e, segundo o último censo, 48,2% das residências têm renda superior a dez salários mínimos. 

No topo da lista, há outras duas cidades com população idosa expressiva: Santos, em 9º lugar, e Niterói, em 11.º. Os outros municípios são do interior do Rio Grande do Sul, como Garibaldi e Nova Pádua, e de Santa Catarina, como Joaçaba. Todas são localidades com imigração italiana ou alemã, renda maior que a do restante do País e expectativa de vida bem superior à média brasileira. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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