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Inflação para a população de renda muito baixa fechou 2017 em 2,2%; no mesmo período, índice apresentou resultado de 3,7% para os mais ricos

Alimentos foram os principais responsáveis por puxar para baixo a inflação de 2017 dos mais pobres
Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil
Alimentos foram os principais responsáveis por puxar para baixo a inflação de 2017 dos mais pobres

O resultado da inflação de 2017, que teve redução em comparação com o ano anterior, beneficiou principalmente os integrantes da classe de renda muito baixa. Para este grupo, o índice foi de 2,2%, uma queda de 4,8 pontos percentuais em comparação ao ano anterior. As informações foram divulgadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 2,95%, no ano passado.

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No caso das camadas mais ricas da população, a inflação de 2017 chegou a 3,7%, com redução de 2,5 pontos percentuais em relação a 2016. Segundo a economista Maria Andreia Parente Lameiras, do Grupo de Conjuntura do Ipea, o que puxou a inflação para baixo foram os alimentos, que fechou o ano com deflação, com destaques para o arroz (-10,9%), feijão (-46,1%), frango (-8,7%) e leite (-8,4%).

“Como os alimentos pesam muito mais no orçamento das famílias mais pobres do que nas famílias mais ricas, esse efeito baixista dos alimentos foi muito intenso na inflação dos mais pobres do que dos mais ricos”, afirmou a economista.

Ainda de acordo com a especialista, quando se olha a cesta de consumo dos mais pobres, percebe-se que a maior parcela do gasto dessa família é com alimento. “Quando ele fica mais barato, o efeito dessa baixa de preço é muito mais sentida pelos mais pobres do que pelos mais ricos”, disse.

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Os mais ricos também se beneficiaram pela queda de preços dos alimentos . No entanto, a cesta dessa parcela da população é composta por outros itens, que até recuaram em 2017, mas não tão fortemente quanto os produtos mais consumidos pelos mais pobres.

A  inflação dos mais pobres no ano passado também foi influenciada pela queda no aluguel, segundo o Ipea. Embora o item tenha variado positivamente no ano, o aumento foi muito menor do que em 2016, uma vez que a inflação dos aluguéis recuou de 5,3% para 1,5%.

Para Maria Andreia, dois motivos levaram a essa redução dos aluguéis. O primeiro é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que fixa o reajuste dos aluguéis e que ao longo dos últimos meses vem desacelerando muito fortemente. A segunda razão é o período de recessão no país, o que elevou muito o número de imóveis disponíveis para aluguel.

“Quando você tem uma oferta de imóveis maior que a demanda, isso também leva a uma queda de preços. Os aluguéis até variaram em 2017, mas variaram muito menos do que em 2016. E aluguel pesa muito nas famílias mais pobres, porque a maioria delas não possui residência própria e precisa do aluguel para morar”. O item aluguel subiu 1,5% em 2017, contra 5,3%, em 2016.

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No mesmo período, houve queda nos preços das tarifas de transporte, como ônibus urbano (de 9,3% para 4%), trem (de 8,5% para 2,5%) e metrô (de 9,1% para 1,3%). Estas reduções também contribuiram para o resultado da inflação de 2017. 

*Com informações da Agência Brasil

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