BRASÍLIA - O fim da redução tributária a produtos como veículos, fogões e geladeiras, em março, deve não só gerar uma queda nas vendas, como também elevar preços e até pressionar a inflação. A avaliação é do economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

BRASÍLIA - O fim da redução tributária a produtos como veículos, fogões e geladeiras, em março, deve não só gerar uma queda nas vendas, como também elevar preços e até pressionar a inflação. A avaliação é do economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. "O retorno à normalidade na tributação, evidentemente, deve levar a uma recomposição de preços desses setores de bens duráveis. Pois quando desonerou, o preço caiu", disse ele. Castelo Branco lembrou que houve uma "boa" antecipação de compras em março, já que a desoneração terminou ao fim daquele mês para vários produtos, entre aqueles beneficiados pelo governo com redução de impostos durante a crise financeira mundial, iniciada ao fim de 2008. "É razoável esperar um amortecimento nas vendas desses produtos já no mês de abril", continuou o economista. "Temos que esperar. O mercado é que vai dar o tom." Castelo Branco não sabe que percentual os setores de automóveis e linha branca de eletrodomésticos - para citar alguns entre os que perderam a redução de impostos - representam no total do faturamento real mensal apurado na indústria, pela CNI. Uma vez que representou o último mês com incentivo fiscal para o consumo desses itens, "março deve vir muito bem" em termos de vendas, prevê o economista. Em dados concretos, a CNI apresentou os números de fevereiro, que já apontaram que as vendas reais da indústria de transformação registraram expansão de 3,3% sobre janeiro, descontados efeitos sazonais. Houve alta de 10,1% no primeiro bimestre, voltando a patamares anteriores à crise. "O efeito do fim da tributação reduzida, porém, pode levar a uma acomodação do faturamento real em abril, e até recuo de setores como o de veículos automotores", comentou o economista da CNI. (Azelma Rodrigues | Valor)
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