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Na virada de 1999 para 2000 havia a expectativa de uma grande crise mundial de tecnologia, o chamado Bug do Milênio

Na virada de 1999 para 2000 havia a expectativa de uma grande crise mundial de tecnologia, o chamado Bug do Milênio. As empresas gastaram milhões em recursos e estratégias para se preparar e quando os fogos estouraram à meia noite nada aconteceu. A lembrança serve de exemplo para quem espera grandes mudanças no mercado de cartões a partir de 1º de julho, quando se encerra a exclusividade da Visa com a credenciadora Cielo (ex-Visanet). Aquele que está sendo chamado de "O dia D" por alguns não representará sequer um grande salto. É um passo importante, é verdade, mas não o único nem o definitivo. O fundamental neste momento é entender de onde o mercado está partindo e para onde será levado após uma série de passos que estão sendo dados ao mesmo tempo. O Brasil chegará ao fim de 2010 com 600 milhões de cartões em circulação nas modalidades crédito, débito, loja e rede, que realizarão 7 bilhões de transações e terão movimentado R$ 555 bilhões. Com esse volume de uso, o dinheiro de plástico será responsável por 25% dos pagamentos feitos pelas famílias brasileiras. Os passos que começaram a ser dados nos últimos anos podem ser consequência de pressões regulatórias e competitivas vindas de secretarias de fazendas estaduais, poder legislativo, entidades de proteção ao consumidor e comércio varejista. O lance mais recente (e relevante) dessa pressão foi o trabalho desenvolvido conjuntamente pelo Banco Central e os Ministérios da Fazenda e da Justiça e apresentado e discutido no último ano. Com ele, o governo busca a ampliação do uso dos meios eletrônicos de pagamento, ao mesmo tempo que estimula mais concorrência no setor; o aumento da eficiência do sistema e a redução dos custos para consumidores, lojistas e sociedade em geral. Para isso, entre outras ações, algumas propostas são a abertura da atividade de credenciamento; transparência na definição da taxa de intercâmbio; possibilidade de diferenciação do preço à vista em relação ao pagamento com cartão e a redução do prazo de pagamento aos varejistas. A entrada de novos players (como a criação de uma nova credenciadora pelo Santander em parceria com a GetNet) e os novos acordos entre as credenciadoras existentes e os bancos emissores de cartão são respostas das empresas que operam no setor. Outra reação partiu da Abecs, associação que representa esse mercado. A entidade sugeriu a adoção das medidas por meio da autorregulação. Todos esses passos tendem a levar o mercado para um novo momento, e ele será benéfico para consumidor e varejistas. Os lojistas poderão negociar melhores taxas e condições nos pagamentos com cartão. As credenciadoras terão de conquistar esses comerciantes com novos serviços. E os consumidores ganharão uma rede mais ampla, melhores serviços e preços.

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