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O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, classificou hoje como um "engodo" a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, que reduz de 44 para 40 horas a jornada semanal dos trabalhadores. Para Francini, a iniciativa presente na pauta de discussões das centrais sindicais há 17 anos tem "mais caráter político do que pé na realidade".

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, classificou hoje como um "engodo" a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, que reduz de 44 para 40 horas a jornada semanal dos trabalhadores. Para Francini, a iniciativa presente na pauta de discussões das centrais sindicais há 17 anos tem "mais caráter político do que pé na realidade".<p><p>Segundo o diretor, a diminuição de horas trabalhadas não gera empregos e pode até fechar postos nas pequenas empresas. "Não há no mundo experiência de redução de jornada com geração de emprego. Essa é uma medida contra o emprego", disse Francini, após anunciar os dados da pesquisa de nível de emprego de março. Cerca de 2 mil sindicalistas protestaram na manhã de hoje, com carros de som e balões, em frente ao prédio da Fiesp, na Avenida Paulista, em São Paulo.<p><p>Os manifestantes chegaram a interromper o trânsito de veículos em pelo menos uma faixa da avenida. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Pedro Nepomuceno, os trabalhadores querem a abertura de negociação com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. A ideia é fechar acordos setoriais para a redução de jornada. "Isso não vem acontecendo", disse Nepomuceno.<p><p>Paulo Francini rebateu a acusação e assegurou que há negociações setoriais. "A Fiesp não é contra a redução. Somos a favor da negociação caso a caso. Muitos acordos já foram fechados, tanto que a média de horas trabalhadas é de 41 horas semanais", disse o diretor.<p><p>O protesto de sindicalistas acabou por volta das 12h30, mas cerca de 40 pessoas permaneceram em frente à sede da Fiesp e montaram cinco barracas. Segundo Nepomuceno, elas ficarão acampadas por tempo indeterminado, até que haja negociação. O líder sindical disse que a partir da próxima segunda-feira deve haver paralisações em indústrias com o objetivo de pressionar os empresários a negociar a redução da jornada.
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