SÃO PAULO - A Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) informou hoje que colocou à disposição de empresários sua câmara de mediação com o intuito de amparar negociações de empresas com débitos gerados por exposição em derivativos cambiais junto aos bancos credores. Em reunião com especialistas promovida hoje pelo Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos (Conjur) da Fiesp, as discussões apontaram para a necessidade de negociações.

Mesmo sem assumir posição sobre a decisão de tais empresas, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, avalia que é importante "contribuir para minimizar problemas", tendo em vista o ambiente de crise atual.

De acordo com o ministro Sidney Sanches, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e diretor do Conjur, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) será a primeira a ser convidada a participar da discussão sobre possíveis negociações.

Na avaliação de Sanches negociar é o melhor caminho para evitar problemas maiores das empresas na atual conjuntura. Também seria bom negócio para os bancos evitar que grandes clientes sejam afetados. "Não estou apostando que os bancos aceitarão. Mas eles verão se vale a pena ou não", diz.

Segundo Fabio Ulhôa Coelho, professor da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), o principal ponto debatido na reunião de hoje do Conjur foi o nível de previsibilidade da crise, ou seja, o quanto os empresários seriam ou não capazes de prever a reversão da cotação do dólar, cuja tendência era de queda nos últimos anos, mas que passou a avançar com força após o agravamento da crise financeira internacional, em setembro.

Para Coelho, as empresa tinham sim capacidade de prever uma mudança de curso, já que a crise imobiliária nos Estados Unidos era uma bolha anunciada, pronta para explodir a qualquer momento. Assim, segundo ele, o empresariado que se alavancou no mercado financeiro não poderia ignorar essa hipótese.

Já o ex-diretor do Banco Central Emilio Garofalo, acredita que é fundamental um acordo urgente entre bancos e empresas a fim de devolver equilíbrio ao mercado e às condições de crédito. Segundo ele, tal problema não explica toda a volatilidade do setor cambial, mas justifica a desconfiança dos bancos em repassar linhas a empresas.

Segundo ele, o Banco Central tem usado os instrumentos certos para dar liquidez, mas precisa ajustar o volume para devolver o mercado à normalidade. Para ele, se bancos e empresas chegarem a um bom termo, boa parte da volatilidade cambial diminuirá e a moeda americana pode voltar a R$ 2 ainda em dezembro.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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