Tamanho do texto

SÃO PAULO - A discussão em torno da possibilidade de corte de jornada de trabalho associada a redução de salário, a fim de evitar demissões, ganhou corpo hoje na sede da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp). Segundo Paulo Skaf, presidente da entidade, a defesa dessa medida foi unânime hoje durante a reunião do Conselho Estratégico da Fiesp.

"Há unanimidade neste ponto. Grandes grupos estudam essa possibilidade para evitar demissões", disse Skaf, após o encontro que reuniu presidentes da Vale, Embraer, grupo Votorantim, Gol, Gradiente, entre outros.

De acordo com o dirigente, a idéia é acelerar esse "entendimento" com sindicatos trabalhistas e patronais, partindo de São Paulo como exemplo, em busca de um cenário mais claro pra o tema já na quinta-feira da semana que vem, quando a entidade se reunirá novamente com sindicalistas, a exemplo do que já fez ontem.

Mesmo sem a participação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no encontro, Skaf diz que há canal de comunicação com o sindicato, mas que "isso será feito com CUT ou sem CUT".

Na avaliação de Skaf, é preciso "coragem para quebrar paradigmas" no atual cenário em benefício de todos.

Pressionadas pela retração do crédito internacional e pela redução da atividade, as empresas buscam entendimento com sindicatos para que a medida de redução de 25% da jornada de trabalho e do salário, prevista em lei, possa ser adotada o mais breve possível.

O dirigente afirma, inclusive, que já há pareceres jurídicos dando conta de que essa limitação de 25% possa nem ser vigente ainda, o que daria liberdade ilimitada para negociações do tipo. "A proposta é usar todos os recursos que a lei permite, mas a redução de salário e jornada tem se destacado", disse, lembrando ainda da possibilidade de dispensa dos trabalhadores por período de 2 a 5 meses para aperfeiçoamento por meio do Bolsa Qualificação.

Sem mencionar empresas especificamente, Skaf voltou a afirmar que setores como bebidas e alimentos sofrem menos com os efeitos da crise se comparados a outros, como o de veículos, máquinas e equipamentos. Isso não significa, entretanto, que os setores não sejam favoráveis a essa medida trabalhista como forma de precaução.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)