SÃO PAULO - Sem mencionar as negociações para reduzir jornada de trabalho e salários e para suspender temporariamente os contratos de trabalho, como forma de evitar demissões motivadas pelos impactos da crise financeira internacional no País, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Força Sindical divulgaram nesta segunda-feira um manifesto com uma série de reivindicações ao governo.

Entre elas estão a redução acelerada da taxa básica de juros, a realização de reuniões quinzenais pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a diminuição dos spreads bancários (diferença entre o juro do crédito e o custo de captação dos recursos) e a ampliação do número de integrantes do Conselho Monetário Nacional (CMN) de três para sete membros, com a participação de membros de outras áreas do governo, da área acadêmica e do sistema produtivo.

"A sociedade brasileira espera do governo medidas práticas e imediatas para combater a crise, evitando a ampliação de suas consequências para o nosso País. Precisamos impedir o desemprego e defender o futuro do Brasil", diz o manifesto, assinado com a data desta segunda pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e pelo presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho.

Também vencia neste dia 26 o prazo dado pelas duas entidades para a retomada das negociações para impedir demissões em massa de trabalhadores. Fiesp e Força argumentaram que as negociações seriam suspensas por dez dias para que as entidades se concentrassem na campanha pela redução da Selic, que era de interesse de ambas.

Procurada, a Fiesp não comentou a ausência no manifesto de uma menção das negociações. A Força Sindical afirma que outros manifestos poderão ser lançados nos próximos dias. Não há data confirmada para a próxima reunião.

Na semana passada, a Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, entidade ligada à Força, votou por unanimidade contra um acordo global com a Fiesp que reduza salários e jornada ou suspenda contratos de trabalho. Os sindicalistas esclareceram que essas serão as últimas alternativas a serem adotadas pelos trabalhadores.

Os metalúrgicos, historicamente uma das categorias mais fortes, deixaram claro sua discordância em relação a Paulinho e afirmaram que antes negociariam banco de horas e lay-off (suspensão do contrato de trabalho) e não admitiriam nenhum acordo que não garanta o emprego dos trabalhadores. Outras cinco centrais sindicais manifestaram publicamente ser contra o acordo nessas bases. Skaf, por sua vez, havia dito nas últimas semanas ser impossível firmar um acordo que garanta estabilidade aos trabalhadores.

Também assinam o documento os presidentes da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Fernandes dos Santos Neto; da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes; da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Fabio Meirelles; da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Abram Szajman; da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), José Calixto; e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

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