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SÃO PAULO - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acusou hoje os bancos de estarem sentados em cima dos recursos oriundos do depósito compulsório, flexibilizado recentemente pelo Banco Central (BC) para a irrigação da economia em tempos de crise. De acordo com a entidade, muitas indústrias já estão se queixando de falta de acesso ao crédito bancário e uma reclamação formal está sendo preparada.

Mesmo assim, o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, disse considerar positivas as medidas adotadas pela autoridade monetária, apesar da pouca efetividade para alimentar o crédito, que segundo ele, continua caro.

O dirigente fez questão de lembrar que muitas indústrias " não têm fôlego para sobreviver muito tempo sem crédito " e que os bancos deveriam sair de cima dos recursos. " Não dá pra querer ter castelo em terra arrasada " , disse Francini, referindo-se ao " risco " do encolhimento do crédito para o setor produtivo.

Na última segunda-feira, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, já alfinetara os bancos após saber da última flexibilização do compulsório. Na ocasião, ele fez um " apelo " aos bancos, para que os recursos fossem realmente direcionados ao financiamento do setor produtivo.

Ainda sobre a crise, Francini afirmou ainda que a entidade prepara uma revisão para sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. A projeção atual é de uma expansão de 4,1%, porém o executivo garantiu que o número será " diminuído " . Para este ano, foi mantida a estimativa de crescimento de 5,4%.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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