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Fidel Castro ataca EUA ao comentar Cúpula do G20

Havana, 17 nov (EFE).- O ex-ditador cubano Fidel Castro, afastado desde fevereiro por motivo de saúde, disse que a declaração final da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) em Washington não diz absolutamente nada e ajuda privilégios dos EUA.

EFE |

"Trata-se simplesmente de uma apelação piedosa à ética do país mais poderoso do planeta (...) como a que rogam ao lobo para que não devore a Chapeuzinho Vermelho", diz Fidel em um artigo de opinião publicado hoje.

Segundo ele, a declaração final é "uma aceitação plena das exigências" do presidente americano, George W. Bush.

Ele afirma que o documento está redigido em "linguagem tecnocrática, inacessível para as massas", reflete uma rendição "ao império, que não recebe crítica alguma", e contém louvações ao FMI, ao Banco Mundial e a outras organizações multilaterais, as quais ele acusa de serem "responsáveis pela crise".

Fidel diz que a declaração "foi assinada por Bush, campeão do 'neoliberalismo'", que chama de "responsável por massacres e guerras genocidas, que investiu em suas aventuras sangrentas todo o dinheiro que teria sido suficiente para mudar a face econômica do mundo".

Segundo Fidel, o G20 nada diz sobre o "absurdo da política de transformar os alimentos em combustível", nem sobre a "troca desigual" que prejudica o Terceiro Mundo, a corrida armamentista, a ruptura do equilíbrio ecológico ou "as gravíssimas ameaças à paz que põem o mundo à beira do extermínio".

Só uma parte do "longo documento menciona a necessidade de 'enfrentar a mudança climática', quatro palavras", protesta o ex-presidente.

Ele ainda afirma que Washington já "tinha decidido injetar US$ 700 bilhões para salvar seus bancos e empresas transnacionais", enquanto a Europa oferecia um número igual ou maior e o Japão prometia US$ 100 bilhões.

"Esperam da República Popular China, que desenvolve crescentes e convenientes vínculos comerciais com os países da América Latina, outra contribuição de US$ 100 bilhões procedentes de suas reservas", acrescenta Fidel no dia em que o presidente da China, Hu Jintao, deve chegar a Havana.

"De onde sairiam tantos dólares, euros e libras esterlinas a não ser endividando seriamente as novas gerações? Como se pode construir o edifício da economia mundial sobre bilhetes de papel, que é de imediato o que realmente se põe em circulação?", questionou.

"Valeria a pena tanta viagem (...) para se reunir com um presidente" que só ficará mais 60 dias no Governo, "e assinar um documento que já estava desenhado de antemão para ser aprovado" no Museu Nacional da Construção (NBM, na sigla em inglês)?, acrescenta o artigo.

No artigo, Fidel faz ironias sobre a localização dos líderes mundiais durante a cúpula do G20: "Bush se mostrava feliz por ter Lula à sua direita no jantar da sexta-feira." E também por ter "Hu Jintao, a quem respeita pelo enorme mercado de seu país, pela capacidade de produzir bens de consumo a baixo preço e pelo caudal de suas reservas em dólares e bônus dos EUA", à sua esquerda, disse.

"Seu mais fiel aliado na Europa, Gordon Brown, primeiro-ministro do Reino Unido, não aparecia perto dele nas imagens. Nicolas Sarkozy (presidente da França), descontente com a atual arquitetura da ordem financeira, ficou distante dele, com o rosto amargurado", acrescenta o artigo.

Em relação "ao presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, vítima do ressentimento pessoal de Bush (...) nem sequer o vi nas imagens televisivas do jantar", ressalta Fidel.

O russo Dmitri Medvedev, que visitará Cuba na próxima semana, e que possui divergências com os EUA por causa do escudo antimísseis, "ficou em um assento distante do anfitrião". EFE am/ab/jp

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