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Fibria pode vender terras e fábricas de papel para voltar a investir

Após vender no ano passado a fábrica de Guaíba (RS) para o grupo chileno CMPC, por US$ 1,4 bilhão, e concluir duas operações financeiras para reduzir sua dívida, a Fibria prepara uma nova venda de ativos. A empresa - criada com a união da Aracruz e da Votorantim Celulose e Papel (VCP) - estuda vender terras e suas duas fábricas de papel, como forma de reduzir mais seu ainda elevado endividamento e retomar seu plano de expansão, paralisado principalmente por causa das perdas da Aracruz com derivativos cambiais.

Agência Estado |

De acordo com o diretor de Tesouraria e Relações com Investidores da Fibria, Marcos Grodetzky, a fabricante analisa uma vasta lista de alternativas de operações para levantar os recursos necessários para reduzir o endividamento e preparar a estrutura financeira para a divulgação de seu primeiro plano de expansão.

Uma das operações analisadas está associada exatamente ao interesse de investidores por terras no Brasil. "Estudamos uma operação um pouco diferente do normal. Buscamos parcerias ou uma venda, mas associada a um arrendamento de terras e uma opção futura de compra", disse o executivo, sem informar detalhes da sugestão proposta pela Fibria.

O negócio, que pode envolver acordos distintos com diferentes interessados, deve superar o montante envolvido no acerto entre Suzano Papel e Celulose e fundos estrangeiros, que envolveu o pagamento de R$ 311 milhões dos fundos por 50 mil hectares de terras da companhia em Minas Gerais. "Para viabilizarmos o crescimento da companhia sem causar ônus no balanço, é preciso que a operação seja algo maior", disse Grodetzky.

A venda das duas fábricas de papel que ainda são operadas pela Fibria - uma em parceria com a Suzano - é outra alternativa analisada. "As fábricas são boas e nos trazem boas margens. Mas, apesar de gostarmos dos ativos, não acreditamos que eles tenham a escala ideal para o negócio", disse, referindo-se à capacidade de aproximadamente 400 mil toneladas anuais de papel da fabricante. "Precisaremos tomar a decisão se vamos crescer ou permanecer com essa escala, que não faz muito sentido. E, entre crescer em celulose ou papel, não há dúvidas de que cada dólar investido na celulose traz retorno maior do que na área de papel."
Apesar do interesse em negociar os ativos, a direção da Fibria ainda não iniciou o processo de venda das unidades, uma delas líder do mercado nacional de papéis térmicos, com aproximadamente 70% de participação. "Não temos pressa. Não partimos para um processo estruturado de venda dos ativos no mercado e, se partirmos, vamos procurar um leque de compradores", afirmou. A Suzano é candidata natural a assumir a participação de 50% que a Fibria detém no Conpacel, fábrica cujo controle é dividido entre as duas empresas.

No que chamou de "menu de opções" de possíveis operações, a Fibria ainda analisa a emissão de dívidas subordinadas ou até mesmo uma operação de aumento de capital, essa menos provável. "(O aumento de capital) também faz parte do menu de opções, mas no momento não é uma opção que estamos buscando, porque o dinheiro de aumento de capital é sempre um dinheiro mais caro", afirmou.

NEGOCIAÇÃO
Enquanto analisa opções mais estruturadas, a Fibria também dá andamento à estratégia de rever seus atuais vencimentos. "A primeira tarefa e mais simples de todas já está em curso. Estamos revisitando uma série de operações que estavam em nossos livros, já que a condição da empresa e do mercado melhoraram. Por isso, temos a possibilidade de substituir algumas dessas dívidas por outras com custo menor", disse.

Com essas operações, a recuperação dos preços internacionais da celulose e a expectativa de crescimento da geração de caixa da Fibria, Grodetzky acredita que a companhia poderá encerrar 2010 com endividamento líquido na casa de 4 vezes o Ebitda (geração de caixa) anualizado. A meta, caso alcançada, representa uma forte retração em relação ao patamar de 6,3 vezes apurado no final de 2009.

A própria redução do endividamento deve contribuir para o resultado anual da Fibria, que apenas neste ano deve desembolsar aproximadamente R$ 600 milhões com juros de dívidas. Um dos vencimentos menos atrativos é aquele originado no processo de renegociação da Aracruz em relação às perdas com derivativos.

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