Dos R$ 5 bilhões que a Fiat reservou para investimentos em sua linha de automóveis no triênio 2008-2010, restam R$ 1,8 bilhão para o próximo ano, segundo o presidente da montadora no Brasil e na América Latina, Cledorvino Belini. Além de inovação tecnológica, grande parte destes recursos financiará os custos associados aos 20 lançamentos previstos para 2010, entre novos modelos e versões.

O executivo não revela quantos serão os novos produtos, limitando-se a dizer que constituirão "parte importante" do portfólio. Em 2009, foram mais de 20 lançamentos, considerando também as novas versões.

Ainda que a fábrica da empresa em Betim (MG) esteja utilizando 100% de sua capacidade instalada, com produção estimada em 800 mil veículos para este ano, a empresa não pretende investir pesado em ampliação em um primeiro momento. Isso porque, segundo Belini, com um investimento pequeno na otimização de alguns processos fabris é possível ampliar a capacidade desta unidade em cerca de 10%. "Que venha o mercado. Para o resto, sempre existe um jeito", afirmou hoje, durante encontro com jornalistas em São Paulo.

Belini lembrou, também, que a fábrica da Fiat em Córdoba, na Argentina, pode expandir-se para algo entre 280 mil e 300 mil unidades produzidas anualmente. Hoje, a planta só produz 60 mil carros por ano. No ano que vem, esta unidade elevará sua produção para 200 mil veículos/ano. Assim, a Fiat se diz preparada para, em 2010, produzir 1 milhão de veículos no Brasil e na Argentina, contra algo entre 800 mil e 810 mil previstos para 2009.

O executivo comentou que a indústria automotiva brasileira tem condições de crescer "pelo menos" 5% em 2010, para algo como 3,15 milhões de automóveis e comerciais leves. Mas para seus fornecedores de autopeças a recomendação da Fiat é de trabalhar com um mercado para 3,4 milhões de veículos. Para 2009, sua expectativa é de que o mercado venda de 2,95 milhões a 3 milhões de veículos, um "belo número" quando comparado às expectativas iniciais de 2,2 milhões que vinham sendo aventadas pela indústria no começo do ano.

Para Belini, a previsão de 4 milhões de veículos vendidos em 2012, traçada por alguns especialistas do setor, é factível. "Existem todas as condições, tudo dependerá de o Brasil manter as regras macroeconômicas estáveis e de a economia crescer acima de 5%. Contamos no momento com avanços na infraestrutura, juros competitivos e crédito", observou, ressaltando que a Fiat trabalha para manter uma fatia de 25% e ficar não na liderança de mercado, "mas de resultados".

Indagado sobre os resultados financeiros da Fiat no País, Belini disse que vai ser "positivo", embora ele não tenha dito se ficará acima, abaixo ou em linha com o lucro líquido de R$ 1,9 bilhão apurado em 2008, cuja alta sobre 2007 tinha sido de 10,5%. O número só considera a venda de automóveis e comerciais leves no Brasil.

Riscos

Belini só não é mais otimista em suas projeções para 2010 pelo risco de a inflação afetar os juros e, por consequência, o crédito ao consumidor ficar mais caro. O presidente da Fiat expressou preocupação com a apreciação do real sobre o dólar. "Mas isso vai ser a realidade nos próximos anos, já que o Brasil se tornou um polo de investimentos", afirmou. Ele ressaltou, no entanto, que para preservar a competitividade, "pode existir um momento em que talvez a empresa precise importar". O iminente aumento do preço do aço é outra fonte de preocupação. A Fiat diz que o mercado interno está praticando preços 30% maiores do que a montadora paga pelo aço em mercados como Turquia e Polônia.

Sobre o IPI reduzido para carros flex - visto por Belini como uma medida não só de cunho ambiental, mas industrial -, ele comentou que se restringirá apenas ao primeiro trimestre de 2010, mas isso garantirá à indústria vendas melhores em um período tradicionalmente mais fraco. Questionado se essa medida surtirá efeitos na indústria mesmo depois do forte movimento de antecipação de compras visto este ano, Belini disse que há mercado a se explorar. "No Brasil há um automóvel para sete habitantes. Então, para alcançar a densidade na Argentina, faltam mais 15 milhões de carros no Brasil."

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