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Fiat e Chrysler negociam acordo

A montadora italiana Fiat está negociando um acordo com a americana Chrysler. Segundo informações do Wall Street Journal, pelo acordo, a empresa italiana ficaria com uma participação de 35% na Chrysler, com opção de chegar a 55%.

Agência Estado |

O controlador da Chrysler, o fundo Cerberus Capital Management, teria interesse em ficar com uma participação minoritária na empresa. A fonte citada pelo jornal não deixa claro como ficaria nesse negócio a participação de 19,9% ainda detida pela Daimler, ex-dona da Chrysler.

Em troca da participação, a Fiat daria à empresa americana acesso à sua tecnologia de fabricação de carros menores e menos poluentes, o que é fundamental para a Chrysler provar para o governo americano, que fez um empréstimo bilionário à empresa em dezembro, que pode sobreviver.

"Entre os dois grupos há conversas sobre a Chrysler usar tecnologia da Fiat em troca de participação", disse uma fonte próxima as negociações à agência Reuters. A informação também foi divulgada pela Automotive News Europe, publicação especializada no setor.

A fonte disse à Reuters que um acordo com a Fiat ajudaria a Chrysler a produzir veículos com índice menor de emissão de poluentes. "Para conseguir financiamento, as montadoras dos EUA precisam mostrar que estão realmente comprometidos a desenvolver no curto prazo uma nova família de veículos menos poluentes", disse. "Sozinha, a Chrysler não conseguiria atender a essa condição".

Assim como a General Motors, a Chrysler recebeu bilhões de dólares do governo para evitar o colapso, em troca de atingir certas metas de cortes de custos e demonstrar a viabilidade econômica da empresa até o fim de março.Nem a Fiat, nem a Chrysler, nem sua dona, a Cerberus, comentaram o assunto.

Em dezembro, o presidente da Fiat, Sergio Marchionne, afirmou que a empresa precisava de um parceiro porque era muito pequena para sobreviver sozinha à crise. Ele afirmou que as montadoras precisavam de escala - uma produção ao redor de 6 milhões de carros ao ano - para terem alguma chance de ganhar dinheiro.

Um analista londrino, que pediu para não ser identificado, afirmou que "escala" era provavelmente a razão por trás do interesse da Fiat na Chrysler, apesar da situação desesperadora da americana. "É a aposta de que, de alguma forma, a Chrysler ainda existirá no futuro." Com exceção da Ferrari e da Maserati, a Fiat não vende carros com suas outras marcas nos Estados Unidos.

Antes de a crise atingir a indústria de carros e dizimar as vendas, a Fiat conversava com outras três montadoras americanas sobre utilizar as linhas de produção deles para retornar ao mercado americano.

Outro analista londrino disse que a empresa italiana poderia usar a rede varejista da Chrysler para vender veículos pequenos, um produto raro no portfólio da americana.

Vista como a mais enfraquecida das montadoras de Detroit, a Chrysler está em uma situação tão complicada que analistas se perguntam se ela conseguiria sobreviver sem uma parceria. Suas vendas caíram 30% em 2008, e, em dezembro, 30 de suas fábricas nos Estados Unidos pararam para cortar custos.

Para atrair clientes, a empresa estava vendendo carros parcelados sem juros, após recebem uma ajuda de US$1,5 bilhão do tesouro americano.

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