O presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, disse que a empresa italiana precisa encontrar um parceiro, pois é muito pequena para sobreviver sozinha à crise que abate a indústria automobilística. Em sua opinião, nos próximos dois anos restarão apenas seis grandes companhias no setor e a Fiat estará vinculada a uma delas.

"É preciso uma produção de pelo menos 5,5 milhões a 6 milhões de carros por ano para ter uma chance de fazer dinheiro", disse Marchionne, em entrevista para a publicação especializada Automotive News. "A Fiat não está nem na metade disso, e não estamos sozinhos. Então precisamos agregar de uma maneira ou de outra", afirmou.

As empresas do setor que atualmente têm produção anual nessa faixa são a Toyota, a General Motors, a Volkswagen, a Ford e a Renault-Nissan.

Marchionne evitou comentar possíveis parceiros da Fiat, mas informou que o grupo "está olhando para esse mundo e dizendo que será uma empresa marginal se não agir." Disse ainda que ele não pode continuar trabalhando com carros sozinho. "Preciso de uma máquina muito maior para me ajudar. Eu preciso de uma máquina compartilhada", disse.

No cargo há quatro anos, o executivo aposta que o mercado mundial terá duas grandes empresas norte-americanas, uma alemã, uma franco-japonesa, uma japonesa, uma chinesa e um outro potencial competidor europeu.

No Brasil, maior mercado da Fiat fora da Itália e responsável pela maior parte da receita da matriz, o presidente da subsidiária, Cledorvino Belini, não quis comentar as declarações do chefe da matriz.

Desde 2001 (com exceção de 2004, quando perdeu o posto para a GM), a Fiat é líder de vendas no mercado brasileiro, que nesses últimos dois meses também vem registrado forte queda nas vendas, após seguidos períodos de resultados recordes.

Marchionne afirmou estar preocupado com a situação atual. "O que vemos não tem precedentes. Tenho 56 anos e nunca tinha visto algo assim", disse, ao referir-se aos efeitos da crise em todos os países. O executivo nem sequer arrisca previsões para o setor em 2009.

Em 2000, a Fiat fez uma parceria global com a GM na área de motores e vendas que durou cinco anos. Na separação, a montadora americana pagou indenização de US$ 2 bilhões à ex-sócia. O desembolso ajudou o grupo italiano a escapar de uma crise, mas contribuiu para abalar ainda mais as finanças da americana GM.

Entre 2003 e 2005, a Fiat enfrentou anos difíceis e quase foi à falência. Em 2006, conseguiu se recuperar. A virada, na época, foi atribuída a Marchionne, que conduziu parcerias que ajudaram a empresa a reduzir custos e a lançar carros mais atraentes para os consumidores, como o Punto.

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