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FHC: Lula deve parar de anestesiar o povo para a crise

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse hoje que o governo Lula precisa parar de afirmar que a crise financeira mundial não terá efeito sobre o Brasil. FHC argumenta que o governo deve deixar de brincar de Poliana (personagem infanto-juvenil famosa pelo otimismo exacerbado) e de dizer que está tudo bem.

Agência Estado |

Na avaliação dele, essa atitude tem como objetivo "anestesiar o povo", mas isso não dará certo e a população sentirá "no bolso" os efeitos da crise. "Vamos cobrar do governo que deixe de brincar de Poliana", disse ele, na sede do Diretório Estadual do PSDB, após o anúncio oficial do apoio de seu partido à candidatura de Gilberto Kassab (DEM) para a Prefeitura de São Paulo.

FHC citou as recentes declarações do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, de que a crise apenas começou, e o Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado hoje, que elevou a estimativa das perdas decorrentes desse cenário de US$ 945 bilhões para US$ 1,4 trilhão, para então declarar que o governo tenta enganar a população quando diz que o País está blindado.

"Não pode continuar dizendo que está tudo bem quando hoje mesmo o diretor-geral do FMI dá uma declaração dizendo que a crise apenas começou. Não é possível manter uma atitude de alheamento só, com o propósito de quê? De anestesiar o povo? Nós vamos cobrar uma atitude de responsabilidade e não vamos nos furtar a respaldar o que for necessário para o Brasil", acrescentou.

FHC recusou a tese de que a economia brasileira está blindada contra a crise financeira. "Essas declarações de que estamos blindados são retóricas, né? Tomara fosse, não há ninguém blindado no mundo mais. Há uma interconexão imensa, de modo que isso é uma declaração para fins de enganar a população". O ex-presidente cobrou mais transparência do governo federal a respeito das medidas que serão tomadas para combater a crise financeira. Na avaliação dele, o PSDB precisa debater essas propostas para saber se serão, de fato, as mais eficazes para atingir os objetivos do governo e do Banco Central (BC).

Proer

O ex-presidente não deixou de elogiar o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), adotado por seu governo entre 1995 e 2000, que concedeu R$ 30 bilhões a vários bancos privados brasileiros para evitar que as instituições quebrassem a partir da estabilização econômica e do fim da hiperinflação após a adoção do Plano Real em julho de 1994.

"Aqui se mencionou a questão do Proer, que hoje é reconhecido e até pelo mundo afora, e oxalá os americanos tenham tido a capacidade de fazer um Proer. Não fizeram. Fizeram um sistema muito mais confuso, muito menos nítido, e nós vamos cobrar do governo atual nitidez nas medidas que vão ter que se tomadas", ressaltou.

FHC reconheceu que o BC está atuando para administrar a crise, mas, sem citar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou que o momento é delicado e que aqueles que possuem responsabilidade política não devem tirar proveito da situação. "Reitero o que disse, a situação é muito delicada, e eu acho que quem tem responsabilidade política não pode usar esses momentos delicados para tirar proveito. Não é o meu caso, eu não faço", destacou.

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