Rio, 10 - Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a evolução dos preços agropecuários no atacado ajudou a conter o impacto do aumento de preços industriais no cálculo da primeira prévia do IGP-M. Isso porque os preços agropecuários saíram de uma alta de 0,25% para uma deflação de 1,04%, da primeira prévia de outubro para igual prévia em novembro.

Quadros comentou que não há um motivo apenas para a movimentação de queda nos preços agropecuários. Vários fatores, relacionados aos mercados interno e externo, contribuíram para esse cenário, de acordo com o economista. É o caso, por exemplo, do retorno à deflação nos preços de soja (de 2,58% para -1,16%); e feijão (de 13,30% para -10,66%). No caso da soja, o produto foi beneficiado por baixa de preço desse item no mercado internacional - visto que os preços das commodities estão caindo, devido ao acirramento da crise dos mercados internacionais.

Já no caso do feijão, o preço do item também foi embalado por notícias de melhora na oferta do mercado interno. "Acho que o feijão estava em uma espécie de entressafra. Mas agora começa a regularizar (a oferta)", afirmou.

Entretanto, ele comentou que outros tipos de alimento também registraram desacelerações e quedas importantes, devido a fatores sazonais característicos de cada setor. É o caso das movimentações de preços em mandioca (de 23,20% para 3,79%); bovinos (de -0,67% para -0,79%) e ovos (de -4,23% para -7,69%). Isso influenciou a queda nos preços agropecuários, segundo Quadros.

Industriais no Atacado

Quadros salientou, no entanto, que a forte aceleração nos preços industriais no atacado (de 0,87% para 1,74%) foi determinante para a taxa maior da primeira prévia do IGP-M, que subiu 0,80% em novembro, ante alta de 0,55% em igual prévia em outubro. Conforme Quadros, o setor continua fortemente influenciado pela desvalorização cambial. O dólar alto tem impactado preços de produtos que são relacionados direta ou indiretamente à cotação da moeda norte-americana.

De acordo com ele, a alta nos preços do segmento de materiais para manufatura no atacado passou de 0,93% para 1,71%. Esse segmento, de fornecedor de insumos para indústria, é uma espécie de termômetro para mensurar o impacto das oscilações do dólar nos preços do atacado. "O efeito do câmbio tem sido suficiente forte para acelerar o IPA industrial (inflação do setor industrial no atacado)", comentou.

Entre os itens que mais pressionaram a inflação do setor industrial estão as elevações de preços encontradas em ácido fosfórico (10,52%); amônia (24,31%); e intermediários para resinas e fibras (16,20%).

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