O resultado negativo mostrado pelo Sinalizador da Produção Industrial (SPI) de São Paulo de outubro pode ser interpretado como o primeiro da série da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que captou de uma maneira mais completa os efeitos do recrudescimento da crise financeira internacional na atividade do setor no Estado. A avaliação é do pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV Paulo Picchetti, que concedeu entrevista há pouco à Agência Estado.

"Outubro é o primeiro mês que efetivamente tivemos o efeito da crise no lado real da economia, conforme alguns indicadores que estão aparecendo. E esse nosso está mostrando isso, tanto na queda na margem como no acumulado de 12 meses", afirmou.

De acordo com a FGV, o SPI caiu 0,40% em outubro ante setembro, com ajuste sazonal. No acumulado dos últimos 12 meses até outubro, registrou uma expansão de 8,00%, ante 8,80% do acumulado até setembro.

O objetivo do indicador, elaborado por meio de parceria entre a FGV e a AES Eletropaulo, é o de antecipar as tendências da atividade industrial no Estado de São Paulo retratada mensalmente pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, por exemplo, enquanto o SPI registrou uma expansão de 1,30% na margem dessazonalizada, a PIM mostrou que o crescimento da indústria paulista foi de 1,00%.

Para Picchetti, o SPI de outubro mostrou dois detalhes importantes somados: o primeiro diz respeito a uma desaceleração da atividade industrial que já era esperada, por conta não somente de um movimento natural após altas expressivas, mas também por causa dos efeitos provocados pelo aperto da política monetária decidido pelo Banco Central para o controle de inflação; o segundo está relacionado exatamente à piora do panorama financeiro internacional, que gerou uma restrição ao crédito no País. "Em outubro, já tivemos um efeito palpável", comentou Picchetti, citando, como exemplo, a queda na produção da indústria automotiva local, que tem no Estado de São Paulo a maior concentração de montadoras do Brasil.

Quanto ao cenário futuro, Picchetti previu a manutenção do cenário observado em outubro nos próximos dois meses que restam para completar o ano. Para 2009, preferiu ser mais comedido, justificando que, por conta de toda a indefinição do panorama econômico-financeiro internacional, o exercício das projeções é uma tarefa ingrata e de grandes riscos. "Pelo menos até o final de 2008, a nossa expectativa é de continuação desta desaceleração que estamos vendo agora", afirmou. "Para o ano que vem, há essa incerteza toda, mas, de antemão, a perspectiva também é de continuação deste processo", limitou-se a dizer.

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