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Rio, 3 - O movimento de alta nos preços dos alimentos in natura no varejo levou ao patamar de inflação mais elevado, na cidade de São Paulo, na última quadrissemana de janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da capital paulista subiu 0,60% no período, após apresentar aumento de 0,45% no índice anterior.

Segundo o economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), esse cenário levou à aceleração de preços dos alimentos na capital paulista, da terceira para a quarta quadrissemana de janeiro (de 0,55% para 0,92%). "O grupo Alimentação foi o principal responsável pela taxa maior do IPC-S na cidade", afirmou.

Entre os destaques, estão as taxas de elevação mais fortes registradas em hortaliças e legumes (de 3,28% para 4,74%); e frutas (de 3,35% para 4,54%). Ainda segundo o economista, o impacto dos aumentos de preços dos alimentos in natura foi tão forte que conseguiu superar a influência, na formação da taxa do índice, da aceleração de preços em cursos formais (de 3,21% para 5,25%), que estão em alta devido à época de reajuste nos preços das mensalidades escolares. Ele lembrou que os itens in natura costumam subir muito de preço no início do ano, visto que a oferta desse tipo de produto depende muito do clima no período - sendo que janeiro é um mês que conta com muitas oscilações climáticas. "Mas isso já é uma coisa esperada; é um impacto, mas é um impacto sazonal no índice", afirmou.

Por isso, o economista não acredita na sustentabilidade da trajetória de aceleração de preços, mensurada pelo IPC-S na cidade de São Paulo. Na análise do economista, da mesma forma rápida que os preços dos in natura impulsionaram o resultado do índice para cima, também podem fazer com que a taxa do índice desacelere, assim que a oferta no mercado interno estiver regularizada, após o término do período de oscilações climáticas.

Entretanto, o mesmo não ocorreu no Rio de Janeiro, que parece ter registrado um cenário de mudanças menos intensas no clima, no mesmo período. Tanto que, na passagem da terceira para a quarta quadrissemana, houve desaceleração de preços nos itens in natura. É o caso das taxas de inflação menos intensas registradas em frutas (de 4,85% para 0,84%) e hortaliças e legumes (de 9,21% para 6,33%) na capital fluminense. Isso ajudou a taxa do IPC-S a subir menos (de 1,16% para 0,99%), na cidade, no mesmo período.