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O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acumulou alta de 4,39% nos primeiros sete meses de 2008, conforme informação divulgada hoje pelo coordenador nacional do indicador, Paulo Picchetti, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nos últimos 12 meses encerrados em julho, a inflação média apurada nas sete capitais de abrangência do índice (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) atingiu a marca de 5,78%.

Em entrevista coletiva concedida à imprensa, Picchetti afirmou que a desaceleração que foi vista em julho, quando o IPC-S variou 0,53% ante a alta de 0,77% de junho, além da expectativa de taxas mais baixas para o restante do ano, devem impedir que a inflação no varejo apurada pela FGV alcance números maiores do que se imaginava no período em que o grupo Alimentação passava por momentos de pico. Ainda assim, apesar de preferir evitar a projeção de um número exato, o coordenador avaliou que ele poderá chegar a uma taxa acumulada de "alguma coisa" entre 5,5% e 6% no final de 2008.

"Estamos imaginando justamente que o índice não vai continuar subindo com a magnitude de antes. Se ele ficasse com aquelas taxas de 1% ao mês que chegamos a observar, aí poderíamos ter resultados maiores", comentou.

Alimentos

Boa parte da expectativa um pouco mais otimista que Picchetti tem para o IPC-S está ligada ao comportamento do grupo Alimentação, que foi o principal vilão da inflação no primeiro semestre. Segundo ele, a questão sazonal deve favorecer os preços dos alimentos, que, tradicionalmente, mostram altas menores ou até baixas na segunda metade de cada ano. Com isso, em vez da inflação continuar em aceleração, deverá mostrar comportamento exatamente contrário, aliviando os índices de preços ao consumidor.

Os entraves levantados pelos economistas do mercado financeiro continuam sendo o comportamento dos preços dos alimentos no mundo, apesar de, nas últimas semanas, o comportamento de importantes matérias-primas (commodities) no mercado internacional ser de baixa. Vale lembrar que, mesmo com a tradição de preços menores dos alimentos no segundo semestre, em 2007 a história não se repetiu, por conta de importantes choques de preços observados em alguns produtos, como o leite longa vida, a carne bovina e o feijão. Nos levantamentos mais recentes da FGV, estes três itens mostram, no entanto, tendência de desaceleração para o restante do ano.

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