A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) tem espaço para fechar abaixo de 2% em julho, na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Ele fez a observação ao comentar a segunda prévia do índice em julho, que mostrou taxa menor, de 1,79%, em comparação com taxa registrada para a segunda prévia de junho, do mesmo índice (1,83%).

O economista comentou que os Índices Gerais de Preços (IGPs) em geral têm demonstrado "um movimento consistente de desaceleração" na maioria dos seus componentes. Entretanto, ele observou que esse movimento tem sido "atrapalhado" por choques pontuais nos preços de alguns itens agrícolas de peso na formação da inflação do atacado - que representa 60% do total dos IGPs. "Podemos ver isso na segunda prévia do IGP-M de julho, que mostrou desaceleração na taxa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCC)", observou o economista.

Ao falar sobre a taxa acumulada do IGP-M em 12 meses até a segunda prévia de julho, que registra alta de 15,15%, o coordenador voltou a comentar que os analistas do mercado financeiro, de uma maneira geral, não estão esperando taxas abaixo de 10% para os IGPs em 2008. Segundo a Pesquisa Focus, compilado das principais projeções macroeconômicas de instituições financeiras divulgada hoje pelo Banco Central, o IGP-M deve encerrar o ano em 11,96%, ante expectativa de 11,92% na semana passada.

Quando questionado se o resultado do IGP-M pode fechar o ano com alta em torno de 15%, assim como verificado na segunda prévia do índice no acumulado de 12 meses, Quadros comentou que espera uma "curva de desaceleração", a partir de setembro, na taxa em 12 meses.

Entretanto, o economista observou que, assim como nenhum analista espera IGPs inferiores a 10% para o fechamento de 2008, também não se espera taxas anuais próximas a 15%, nas atuais projeções do mercado financeiro sobre o tema. "O que estamos vendo é que as estimativas para o fechamento dos IGPs este ano atingem no máximo 12,5%", disse. Na análise de Quadros, com a possível entrada de taxas mensais menores na série histórica, inferiores à de iguais meses do ano passado, a taxa acumulada em 12 meses pode finalmente ceder e terminar 2008 com resultado próximo às atuais estimativas do mercado financeiro.

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