A desaceleração de 2,08 pontos porcentuais observada no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de agosto, em relação a julho, foi a mais expressiva desde abril de 1999. A informação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, que concedeu, nesta tarde, entrevista coletiva à imprensa.

Em agosto, o indicador caiu 0,32% ante uma alta de 1,76% de julho. Em abril de 1999, o mesmo índice havia apresentado taxa de 0,71%, o que representou uma desaceleração de 2,12 ponto sobre o resultado de março daquele ano (2,83%).

De acordo com Quadros, enquanto o início de 1999 foi marcado pela forte desvalorização do real ante o dólar norte-americano, os motivos que levaram o IGP-M de agosto ao primeiro resultado negativo desde abril de 2006 (-0,42%) estão diretamente ligados ao declínio recente dos preços das matérias-primas (commodities), especialmente as agrícolas, no mercado internacional. No IGP-M de agosto, os maiores exemplos de queda dos preços agrícolas no atacado, ficaram por conta da soja em grão, com recuo de 13,32% ante alta de 9,38% em julho, e do milho, com baixa de 11,46% ante elevação de 11,64% do mês anterior.

Mudança no quadro

Salomão Quadros, afirmou que a deflação de 0,32%, registrada pelo IGP-M de agosto representou uma "mudança" no quadro de inflacionário de altas que o indicador da FGV vinha mostrando durante o primeiro semestre de 2008. Segundo ele, a queda observada teve ligação direta com o momento de recuo nos preços das matérias-primas (commodities) visto no mercado internacional. "Esta virada que vimos no IGP-M foi suficiente para dizer que houve uma ruptura no processo de alta anterior", enfatizou.

De acordo com Quadros, o resultado importante de agosto marca também uma "mudança no processo inflacionário" no País, já que, segundo ele, os fatores externos deverão, a partir de agora, ter menos influências nos indicadores locais do que os fatores domésticos. "Os preços influenciados pelo mercado internacional deverão ficar um pouco no plano secundário. Já a inflação local ficará mais ligada aos preços dos segmentos de Serviços e Administrados", comentou.

Na avaliação do coordenador, esse detalhe relacionado aos segmentos é justamente o que poderá impedir uma conduta mais leve do Banco Central em relação à política monetária, apesar do processo de baixa iniciado recentemente pelos alimentos, tanto no atacado como no varejo. "Vai ficar mais fácil cumprir a meta sem a pressão forte dos alimentos, mas não dá para vacilar com a política monetária", disse.

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