Rio, 18 - A perda de força na deflação de preços agropecuários no atacado (de -3,86% para -2,16%) foi determinante para a segunda prévia do IGP-M voltar a subir, de agosto para setembro (de -0,12% para 0,04%). A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

"O que estava deixando a segunda prévia negativa era, basicamente, os agropecuários no atacado", comentou ele.

De acordo com Quadros, produtos de peso na formação da inflação do atacado estão com quedas mais fracas de preços. Isso porque o setor agropecuário passou por um "momento de ajuste de preços" em agosto, em virtude do descasamento entre oferta e demanda tanto no mercado interno quanto no internacional. "Esse ajuste já foi realizado e os preços agropecuários não poderiam continuar a cair por muito tempo", afirmou.

Entre os produtos que estão com deflação menos intensa estão a soja (de -11,23% para -0,47%); e o milho (de -8,93% para -6,12%). Algumas commodities agrícolas já deixaram de cair de preço no atacado. É o caso do café em grão (de -3,94% para 3,04%). Além disso, os preços dos bovinos no atacado também estão caminhando para uma queda mais fraca de preços (de -0,76% para -0,28%).

Entretanto, no setor industrial no atacado, a inflação continua a perder força (de 0,92% para 0,77%), da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro. Vários fatores estão contribuindo para essa desaceleração, como a redução na cotação do petróleo no mercado internacional. Isso levou a uma queda de 1,30% em produtos derivados de petróleo, que estavam subindo 1,50% na segunda prévia de agosto. Por sua vez, a alta nos preços siderúrgicos perdeu força (de 4,48% para 3,30%); assim como a de alimentos processados no atacado (de 0,93% para 0,37%), da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro.

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