Rio, 05 - As movimentações de preços do arroz e feijão (de -3,55% para 3,58%), e da carne bovina (0,74% para 4,10%) responderam por metade da inflação mensurada pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1). O índice, anunciado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é calculado com base nas despesas de consumo das famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos mensais, e que subiu 0,66% em outubro, após registrar queda de 0,57% em setembro.

O economista da FGV, André Braz, comentou que esses itens foram os que mais puxaram a "virada" na trajetória de preços do setor de alimentação, de setembro para outubro (de -1,65% para 1,01%). "O grupo alimentação, sozinho, respondeu por 62% do total do IPC-C1 de outubro. E arroz, feijão, e carne bovina são responsáveis por 79% da elevação de preços dos alimentos em outubro", afirmou o economista.

Braz explicou que arroz e feijão são dois produtos que têm passado por problemas de oferta reduzida no mercado interno, já há cerca de um mês. No caso da carne bovina, ele lembrou que essa época é de entressafra, quando o abate de bovinos diminui, o que reduz a quantidade de carne no mercado interno. "O consumidor de baixa renda gasta cerca de 8% do seu orçamento mensal comprando arroz, feijão e carne bovina. É muita coisa", disse, acrescentando que a combinação dos três produtos pode ser considerado o principal prato de comida consumido por famílias na faixa de renda pesquisada pelo IPC-C1.

Efeitos da Crise

Ainda segundo o economista, os efeitos da crise nos mercados internacionais ainda não atingiram de forma negativa o rendimento dos mais pobres. Ele observou que a disparada nos preços dos alimentos teve mais a ver com fatores sazonais, característicos do mercado interno e, principalmente, de setores alimentícios específicos, do que relacionado à crise atual.

Na análise de Braz, o cenário de inflação alta será sentido pelas famílias de baixa renda, pelo menos até o final deste ano. Isso porque os preços dos alimentos que estão subindo agora devem continuar a pressionar a inflação em novembro e em dezembro. Além disso, o economista lembrou que a tarifa de energia elétrica do Rio de Janeiro deve subir 3,29% a partir do dia 7 de novembro. Tarifas e preços administrados contam com peso expressivo no cálculo do IPC-C1, segundo o economista. Ele calcula um impacto em torno de 0,10 a 0,14 ponto percentual no resultado total do índice, originado somente desse reajuste.

Porém, na avaliação do economista, é difícil hoje prever qual será a evolução do IPC-C1 a partir de 2009, com as conseqüências da crise ainda pouco visíveis no momento. "Não sabemos o que vai acontecer com o câmbio. Se continuar a subir, pode começar a pressionar os preços das commodities agrícolas, o que pode puxar os preços dos alimentos para cima. Mas não temos certeza de que isso vai acontecer", afirmou.

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