Pela primeira vez em mais de um ano os estoques da indústria foram considerados excessivos pelos empresários brasileiros que participaram da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com dados apresentados pelo coordenador-técnico Jorge Braga, esse índice ficou em -2% em julho, sem ajuste sazonal - abaixo de zero, o indicador representa excesso de estoques.

"Este quadro é mais uma amostra de que realmente está havendo um recuo na produção industrial, ainda que pequeno", considerou Braga. "Os estoques, que estavam insuficientes de julho a outubro do ano passado, apresentam agora algum excesso", acrescentou.

A última vez que o indicador ficou em -2% foi em junho de 2007. A partir dessa data, segundo os dados da FGV, houve uma normalização dos estoques, que perdurou até setembro do ano passado. Em outubro, o índice estava em +4%, o que significava que a indústria sofria com a falta de produtos para apresentar ao mercado.

"A economia melhorou muito e começou a faltar produtos", disse Braga, lembrando que um dos principais exemplos deste quadro no período foi o da indústria automotiva. "As pessoas compravam automóveis e tinham de aguardar 30, 40 dias para receber o carro", lembrou. Este período de escassez de estoques durou até o início deste ano, percebendo-se certa normalidade já em fevereiro, quando o índice sem ajuste sazonal apresentou taxa de -1%. Esta virtual estabilidade permaneceu até junho, com o indicador sempre próximo a zero.

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