O governo estuda autorizar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra de ações da Petrobrás, disse ontem o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em entrevista à rádio CBN, confirmando informação publicada pelo jornal Folha de S. Paulo.

"A Petrobrás vai ter recursos para investir na prospecção do pré-sal, que tende a ser uma das maiores produções da história do Brasil", disse. Segundo Lupi, estudos sobre a retomada das aplicações ficarão prontos no fim deste ano.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-diretor da Petrobrás, disse que a idéia de retomar a aplicação do FGTS em ações da estatal já circula no governo há algum tempo. "É uma idéia simpática porque socializa o capital", comentou. "É importante do ponto de vista político e bom para o trabalhador, pois as pessoas que aplicaram o Fundo de Garantia não se arrependeram."

Os trabalhadores foram autorizados a aplicar parte de seu saldo no fundo em ações da Petrobrás em 2000. De lá para cá, o rendimento acumulado é da ordem de 750%. O total aplicado em ações da Petrobrás é de cerca de R$ 8,5 bilhões.

O governo, porém, ainda não bateu o martelo sobre a questão. Por enquanto, é uma possibilidade, como várias outras que estão em avaliação. A comissão de ministros que estuda um novo marco regulatório para o petróleo a partir da descoberta do pré-sal não avaliou a possibilidade do uso do FGTS, segundo informaram ao Estado dois de seus integrantes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis se manifestar sobre o assunto. Ontem, ao sair do velório do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Eleno Bezerra, ele foi questionado sobre eventuais mudanças na aplicação de recursos do FGTS, mas não respondeu. "Quero pedir desculpas a vocês porque vou embarcar para a conferência da ONU em Nova York", disse.

De acordo com técnicos da área, as novas aplicações dos trabalhadores na Petrobrás poderiam funcionar como uma contrapartida, caso a União decida injetar mais recursos na estatal. A legislação determina que, caso o Tesouro Nacional aporte mais capitais, os demais acionistas também terão o direito de adquirir mais ações. A capitalização seria uma forma de dar à estatal fôlego financeiro para investir no pré-sal.

Na esteira da crise financeira internacional, um grupo de técnicos começou a discutir uma nova alternativa para possibilitar os investimentos da Petrobrás: usar parte das reservas internacionais para fazer um empréstimo à estatal. Seria algo da ordem de US$ 20 bilhões, de um total de US$ 208,7 bilhões das reservas.

Os defensores da idéia argumentam que as reservas superam a dívida externa brasileira, de forma que há uma "folga". Essa idéia tampouco foi submetida à comissão interministerial do pré-sal. Integrantes do governo a consideram arriscada.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.