O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) dá como certa a retração da economia dos Estados Unidos em 2009. Na ata reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc) dos dias 27 e 28 de janeiro, divulgada ontem, a instituição reduz as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB).

Pela nova projeção, o PIB deve recuar de 0,5% e 1,3%. Segundo o documento, o Fed vê "uma contração continuada e aguda na atividade econômica real."
A previsão anterior, de outubro de 2008, ainda considerava a hipótese de expansão, numa faixa entre alta de 1,1% e retração de 0,2%. Em 2010, segundo a projeção do banco, o país volta a crescer num ritmo entre 2,5% e 3,3%. E em 2011, segue em alta de 3,8% a 5%.

"Os participantes em geral esperam que as tensões nos mercados só se dissiparão lentamente e, portanto, o ritmo da recuperação em 2010 será contido", diz o texto. O documento ainda diz que "as condições do mercado de mão de obra se deteriorarão bastante." A projeção é que o desemprego fique ainda acima de sua taxa sustentável de longo prazo até o fim de 2011.

No discurso preparado para um almoço no Clube Nacional da Imprensa, em Washington, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que a taxa de desemprego nos EUA, atualmente no nível mais alto em 16 anos a 7,6%, deve exceder os 8% nos próximos meses. E, a menos que os formuladores da política sejam capazes de reforçar o sistema bancário, outros esforços monetários e fiscais não vão produzir o resultado esperado.

INFLAÇÃO
Bernanke prometeu que a instituição fará "tudo o que for possível dentro dos limites de sua autoridade" para restaurar mercados financeiros e tirar os EUA da recessão e anunciou novas medidas. Uma delas é que a entidade suspenderá suas intervenções extraordinárias no mercado para evitar que isso provoque inflação. A medida visa a acalmar os que temem que o aumento da base monetária desencadeie uma onda inflacionária. "Tempos extraordinários requerem medidas extraordinárias", disse.

Para evitar o descontrole dos preços, Bernanke disse que o Fed estenderá seu horizonte de previsão econômica de três para cinco ou seis anos, num sistema semelhante ao de metas de inflação. Esta "clareza ampliada" deve ancorar as expectativas, afirmou Bernanke, "contribuindo assim para impedir que a inflação de fato suba a um nível muito alto ou caia a um nível muito baixo." Mas, por enquanto, segundo Bernanke, os preços estão sob controle. No nível atual de atividade econômica com "preços das commodities em níveis baixos, vemos pouco risco de inflação em níveis mais elevados que o aceitável no curto prazo", disse.

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