O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, admitiu ontem, em Washington, que os Estados Unidos podem vir a reduzir a tarifa de importação sobre o etanol produzido no Brasil, de US$ 0,54 por galão. Ao ser perguntado sobre o assunto no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, Bernanke disse que apóia o livre comércio e um corte nessa tarifa seria um bom passo a ser tomado.

Um corte na tarifa americana poderia trazer um aumento significativo nas exportações de etanol brasileiro para os EUA, na avaliação de Joel Velasco, representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em Washington. "Ainda não fizemos a conta de quanto poderiam crescer as exportações, mas um corte na tarifa daria maior previsibilidade para o produtor brasileiro."

Para Velasco, os EUA estão num momento de forte demanda pelo álcool importado, pois o etanol de milho, cotado por US$ 2,9 o galão, vem perdendo competitividade. "Mesmo com a tarifa e custo de produção atuais, o Brasil tem condições de vender 3 bilhões de litros de etanol aos EUA em 2008. Imagine com um corte na tarifa", diz.

Na atual safra 2008/2009, o País exportou 770 milhões de litros de etanol para os EUA, o que representou 70% das exportações totais e um aumento de 84% em relação à safra anterior, quando foram embarcados 410 milhões de litros para o mercado americano.

Commodity

"Uma redução na tarifa americana seria o primeiro passo para a criação de um mercado internacional para o etanol e sua transformação em uma commodity", diz Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho do Agronegócio da Fiesp. Se a declaração de Bernanke encontrar eco no Congresso americano, os benefícios para o Brasil serão significativos, avalia. "O céu é o limite do quanto o corte na tarifa pode representar para as exportações brasileiras. "

Atualmente os EUA misturam em torno de 10% de etanol à gasolina e há metas para que esse porcentual chegue a 20%. O mercado americano vai demandar mais de 100 bilhões de litros de etanol nos próximos anos, com capacidade de produzir 80% desse total. "Os americanos vão precisar importar no mínimo 20 bilhões de litros de etanol. É uma enorme alavancagem. Mais países vão passar a produzir etanol", diz. As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Nathália Ferreira

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