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Fed reforça o Caixa do BC com operação de US$ 30 bilhões

O Banco Central anunciou ontem que recebeu um reforço de US$ 30 bilhões para as reservas internacionais, que poderão ser usados para controlar o mercado de câmbio. A ajuda é resultado de um acordo com o Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), que terá validade até 30 de abril de 2009.

Agência Estado |

O Fed anunciou entendimento idêntico e em igual valor com México, Cingapura e Coréia do Sul. Os dólares serão recebidos pelo Brasil e, como garantia, o BC vai enviar reais aos Estados Unidos.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, comemorou o significado do acordo porque inclui formalmente o Brasil no grupo de países com "economias sistemicamente importantes". Para Meirelles, o entendimento com as autoridades americanas representa o "reconhecimento da qualidade da política econômica" conduzida pelo País.

Com esse acordo, o Brasil terá recursos extras para amenizar o efeito da crise, que reduziu a oferta de dólares. Atualmente, a autoridade monetária tem atuado no câmbio, com a venda da moeda que está nas reservas internacionais, o que tem diminuído gradativamente esse montante.

O BC recebeu autorização para fazer acordos desse tipo com a Medida Provisória 443, a mesma que permitiu que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comprem participação acionária em bancos e empresas. A partir da regulamentação do acordo - que será feita pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), será possível usar os recursos do Fed para aliviar a pressão do mercado. Assim, será preservado o nível das reservas brasileiras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre enaltece o nível superior a US$ 200 bilhões das reservas, que funcionam como um dos escudos contra a crise.

Diferentemente de antigos acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o entendimento com o Fed não implica "condicionalidades de política econômica", destaca nota divulgada pelo BC. Quando o acordo for regulamentado e houver a operação, o Fed vai creditar os dólares nas reservas brasileiras. Em contrapartida, o Brasil remeterá valor equivalente em reais aos EUA. Segundo o BC brasileiro, o crédito dos recursos será feito de acordo com a demanda, não necessariamente de uma só vez.

De acordo com a assessoria de imprensa do BC, não há custos nem variação cambial embutidos na operação. Ou seja, os dólares do Fed que ingressarem no Brasil serão devolvidos pelo mesmo volume de reais remetido aos EUA.

Para economistas, o BC ganhou mais poder para restabelecer a liquidez do mercado cambial. "A medida visa a maior liquidez ao mercado. Isso aumenta o poder de fogo do BC", disse o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos. Com avaliação semelhante, o economista-chefe da Mauá Investimentos, Caio Megale, disse que o acordo "aumenta a bala do BC".

Megale observa, porém, que a ajuda tem um aspecto que não deve ser comemorado: os países beneficiados são os que mais sofreram com os swaps corporativos, como os que provocaram prejuízos à Aracruz, Sadia e Votorantim. "Sabemos que México, Brasil e Coréia do Sul são os países cujas empresas mais sofreram com derivativos." Para ele, Cingapura seria o único que não estaria entre os mais prejudicados pelos derivativos cambiais.

Além de Brasil, Cingapura, Coréia do Sul e México, Austrália, Canadá, Dinamarca, Inglaterra, Noruega, Nova Zelândia, Suécia, Suíça e a União Européia já têm acordos semelhantes com o Fed.

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