SÃO PAULO - A piora na perspectiva relativa ao desempenho econômico dos Estados Unidos significa que o Federal Reserve (Fed) deve repensar sua posição com relação à política monetária, sustentou nesta terça-feira o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke. O Fed precisará considerar se a posição atual de política monetária permanece adequada, conforme discurso preparado para o encontro da Associação Nacional de Economia de Negócios.

Segundo ele, a combinação de novos dados e os eventos financeiros recentes sugerem que o prognóstico para o desempenho econômico piorou e que aumentaram os riscos contra o crescimento. Notou, porém, que a perspectiva de preço "melhorou de alguma forma".

Muitos agentes acreditam que o dirigente do Fed deixou entreaberta a possibilidade de redução na taxa de juro em breve. A reunião oficial do comitê de mercado aberto do Fed para decidir sobre os juros está agendada para o final do mês, mas não se descarta um corte emergencial, em combinação com os bancos centrais de outros países desenvolvidos.

Bernanke avalia que a atividade econômica deve continuar contida durante o restante deste ano e em 2009 e que as restrições financeiras podem estender o período de debilidade econômica e elevar os riscos contra o crescimento.

Por isso, considerou essenciais os esforços continuados visando à estabilidade dos mercados financeiros e observou que, sem essas ações, a turbulência no setor financeiro e a queda nos preços dos ativos podem afetar a economia mais amplamente.

O titular do banco central dos Estados Unidos defendeu o pacote de resgate dos bancos aprovado no Congresso e convertido em lei na semana passada, no montante de US$ 700 bilhões. Na avaliação dele, o plano de ajuda, assim como as iniciativas do Fed para garantir liquidez no sistema financeiro e comprar commercial papers, eram ações necessárias para serem tomadas neste momento de estresse econômico.

"Os passos tomados agora para restaurar a confiança em nossas instituições e mercados estão além de resolver os deslocamentos correntes nos mercados. Acredito que as ações desafiadoras tomadas, juntas com os poderes de recuperação natural dos mercados financeiros, vão criar a base para a retomada econômica e financeira", destacou.

(Valor Online, com agências internacionais)

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