O Federal Reserve (Fed, o banco central americano), presidido por Ben Bernanke, manteve a taxa de juro próxima de zero ontem e indicando que deve sustentá-la excepcionalmente baixa ainda por um período prolongado, embora aponte um momento positivo na recuperação da economia. A taxa é mantida nesse nível desde dezembro de 2008.

A sinalização do Fed sobre a reação da atividade nos Estados Unidos sugere que a instituição está se aproximando do momento em que deve reduzir as medidas excepcionais, o que abriria caminho para um ajuste monetário nos próximos meses.

Pelo segundo encontro consecutivo, o presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, votou contra a maioria, dizendo que o compromisso de manter o juro básico excepcionalmente baixo não é mais necessário.

O banco central reiterou que pretende encerrar as compras de ativos relacionados a hipotecas até o fim de março, mas vai monitorar as perspectivas econômicas e o progresso no sistema financeiro para ver se é necessário mais suporte.

O Federal Reserve disse que o mercado de trabalho está "se estabilizando", avaliação mais otimista que a do último encontro no fim de janeiro, quando o comitê de política monetária afirmou que a deterioração no mercado de trabalho estava apenas "diminuindo".

Mesmo assim, o banco central americano repetiu sua visão de que a recuperação da economia provavelmente será moderada por algum tempo e que a inflação deve permanecer sob controle, com o banco mantendo as taxas na faixa entre zero e 0,25%.

"O comitê (de política monetária do Fed) continua antecipando que as condições econômicas, incluindo baixas taxas de utilização da capacidade e tendências inflacionárias e as expectativas de inflação estáveis, provavelmente vão garantir os níveis excepcionalmente baixos do juro por um período prolongado", disse em comunicado.

O banco central também disse que os gastos empresariais com equipamentos e softwares aumentaram "significantemente", uma avaliação também mais positiva que a dada no fim de janeiro.

Nível histórico. O Federal Reserve tem mantido o juro básico próximo de zero desde dezembro de 2008, com o objetivo de impulsionar a economia e ajudar o país a sair da mais severa recessão em gerações. Em março do ano passado, o banco se comprometeu a sustentar as taxas em nível baixo por "um período prolongado".

A economia cresceu no segundo semestre do ano passado e expandiu-se a uma robusta taxa anualizada de 5,9% no último trimestre de 2009.

Efeito sazonal. Embora o nível de desemprego tenha se mantido em fevereiro em elevados 9,7%, já que a economia perdeu 36 mil vagas, a perda de alguns desses empregos tem relação com o rigoroso inverno, e muitos economistas esperam um crescimento no número de vagas no mercado de trabalho (payroll) já em março.

Os ganhos no setor manufatureiro e nas vendas no varejo se somaram à evidência de que a recuperação está ganhando força.

O Fed tem permitido o fim de instrumentos especiais de empréstimos à medida que os mercados financeiros vêm retornando ao normal após a crise. A instituição elevou recentemente a taxa de redesconto que cobra de bancos por empréstimos emergenciais para 0,75%, ante 0,50%.

Dinheiro de volta. As autoridades do banco central dos Estados Unidos ressaltaram que o movimento está se sustentando com a estabilização dos mercados financeiros e que a decisão de ontem não é precursora de esforços para um aperto nas condições de financiamento.

Contudo, formuladores de política monetária começaram a relevar passos que já haviam antecipado visando a encerrar as políticas de dinheiro barato quando a recuperação ganhar força.

Autoridades dizem que o Federal Reserve provavelmente deve começar a recuperar parte do valor de mais de US$ 1 trilhão que injetou na economia durante a crise antes que inicie o aumento do juro básico.

Ainda no comunicado de ontem, o banco central também reafirmou que vai terminar a compra de títulos hipotecários no final do mês, como estava previsto.

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