Washington, 5 ago (EFE) - O Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve hoje a taxa básica de juros em 2%, enquanto a inflação se acelera e a atividade econômica dos Estados Unidos continua fraca. Embora persistam os riscos de desaceleração do crescimento econômico, os riscos de inflação também são causa de preocupação significativa, disse o Comitê de Mercado Aberto do Fed ao fim de sua reunião. O banco central dos Estados Unidos começou a afrouxar sua política monetária em setembro do ano passado, quando a taxa básica de juros estava em 5,25%. Desde abril, o órgão a mantém em 2%.

O Comitê reconheceu que a "atividade econômica se expandiu no segundo trimestre", embora tenha atribuído o aumento, em parte, ao crescimento da despesa dos consumidores e das exportações.

O Produto Interno Bruto (PIB) americano, que no primeiro trimestre foi de 0,6%, alcançou, entre abril e junho, um ritmo anual de 1,9% .

Como nos EUA a despesa dos consumidores representa mais de dois terços da atividade econômica, boa parte desse aumento reflete a alta dos preços, que repercute em um maior gasto tanto em bens de consumo quanto em energia.

Mas "os mercados trabalhistas se debilitaram e os mercados financeiros continuam sob tensões consideráveis", acrescentou o Comitê.

A economia americana perdeu, entre janeiro e julho, cerca de 483 mil postos de trabalho, e a taxa de desemprego subiu para 5,7%. Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 5%, em taxa anualizada.

A decisão de hoje, já esperada pelos mercados, não foi unânime.

Um dos membros do Comitê, Richard Fisher, presidente do Federal Reserve regional de Dallas, votou contra e propôs neste momento uma alta na taxa de juros.

Mas o banco central preferiu não elevar os juros, apesar dos perigos da inflação, para não prejudicar o crescimento econômico.

"As condições restritivas do crédito, a contração do setor imobiliário e os elevados preços da energia provavelmente pesarão sobre o crescimento econômico nos próximos trimestres", disse, em comunicado.

O Fed apontou ainda que "a inflação foi elevada, encorajada pelos incrementos nos preços da energia e de outras matérias-primas, e que alguns indicadores de expectativa inflacionária foram altos".

Ao avaliar qual será seu próximo movimento, o Fed leva em conta que suas duas prioridades, a estabilidade dos preços e o crescimento do emprego, estão ameaçadas.

Por isso, os analistas acreditam que a autoridade monetária manterá os juros durante um tempo.

De fato, uma redução da taxa pode acelerar a inflação, enquanto um aumento encareceria os créditos e dificultaria o financiamento das empresas e das famílias, o que frearia o crescimento.

O panorama econômico dos EUA se deteriorou desde a reunião anterior do Comitê, em 25 de junho, quando o órgão interrompeu o maior relaxamento da política monetária em duas décadas.

O ritmo médio de crescimento econômico anual de 1,4% nos primeiros seis meses do ano respondeu, em parte, ao estímulo de aproximadamente US$ 80 bilhões distribuídos pelo Governo como devolução de impostos.

O Fed reduziu em 3,25 pontos percentuais a taxa básica de juros desde que os mercados mundiais de crédito começaram a sofrer os efeitos da crise hipotecária, há um ano.

Alguns dos maiores bancos e companhias financeiras do mundo registraram perdas e depreciações de mais de US$ 450 bilhões.

Desde dezembro, o Federal Reserve injetou quase US$ 600 bilhões nos mercados financeiros só para dar maior liquidez. EFE jab/rb/db

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