Por Mark Felsenthal WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve manteve a taxa de juro próxima de zero nesta terça-feira e renovou sua promessa de sustentá-la excepcionalmente baixa por um período prolongado, embora aponte um momento positivo na recuperação da economia.

A sinalização do banco central de uma retomada mais firme da economia sugere que a instituição está se aproximando do momento em que deve acabar com a promessa de manter os custos de empréstimos em níveis historicamente baixos, o que abriria caminho para um ajuste monetário nos próximos meses.

Pelo segundo encontro consecutivo, o presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, votou contra a maioria, dizendo que o compromisso de manter o juro básico excepcionalmente baixo por um período prolongado não é mais necessário.

O banco central reiterou que pretende encerrar as compras de ativos relacionados a hipotecas até o fim de março, mas monitorará as perspecticas econômicas e o progresso no sistema financeiro para ver se é necessário mais suporte.

O Fed disse que o mercado de trabalho está "se estabilizando", avaliação mais otimista que a do último encontro no final de janeiro, quando o comitê de política monetária afirmou que a deterioração no mercado de trabalho estava apenas "diminuindo".

Mesmo assim, o Fed repetiu sua visão de que a recuperação da economia provavelmente será moderada por algum tempo e que a inflação provavelmente vai permanecer sob controle, com o banco central mantendo as taxas na faixa entre zero e 0,25 por cento.

"O comitê (de política monetária do Fed)... continua antecipando que as condições econômicas, incluindo baixas taxas de utilização da capacidade e tendências inflacionárias e as expectativas de inflação estáveis, provavelmente vão garantir os níveis excepcionalmente baixos do juro por um período prolongado", disse o banco central em comunicado.

O banco central também disse que os gastos empresariais com equipamentos e softwares aumentaram "significantemente", uma avaliação também mais positiva que a dada no final de janeiro.

O Federal Reserve tem mantido o juro básico próximo de zero desde dezembro de 2008, com o objetivo de impulsionar a economia e ajudar o país a sair da mais severa recessão em gerações. Em março do ano passado, o banco se comprometeu a sustentar as taxas em nível baixo por "um período prolongado".

A economia cresceu no segundo semestre do ano passado e expandiu-se a uma robusta taxa anualizada de 5,9 por cento no último trimestre de 2009.

Embora o nível de desemprego tenha se mantido em fevereiro em elevados 9,7 por cento, já que a economia perdeu 36 mil vagas, a perda de alguns desses empregos se deveu ao rigoroso inverno que atingiu grande parte da nação, e muitos econonomistas esperam um crescimento no "payroll" já em março.

Os ganhos no setor manufatureiro e nas vendas no varejo se somaram à evidência de que a recuperação está ganhando força.

O Fed tem permitido o fim de instrumentos especiais de empréstimos à medida que os mercados financeiros vem retornando ao normal após a crise. A instituição elevou recentemente a taxa de redesconto que cobra de bancos por empréstimos emergenciais para 0,75 por cento, ante 0,50 por cento.

As autoridades do Fed ressaltaram que o movimento está se sustentando com a estabilização dos mercados financeiros e que a decisão desta terça-feira não é precursora de esforços para um aperto nas condições de financiamento.

Contudo, formuladores de política monetária começaram a relevar passos que já haviam antecipado visando encerrar as políticas de dinheiro barato quando a recuperação ganhar força.

Autoridades dizem que o Fed provavelmente deve começar a recuperar parte do valor de mais de 1 trilhão de dólares que injetou na economia durante a crise antes que inicie o aumento do juro básico.

(Reportagem adicional de David Lawder, Emily Kaiser e Glenn Somerville)

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