SÃO PAULO - A situação da economia dos Estados Unidos melhorou, mas ainda justifica a manutenção do juro básico do país perto de zero por um período extenso , repetiu hoje o Federal Reserve ao anunciar sua decisão de deixar a taxa básica em uma faixa de 0% a 0,25% ao ano. No entanto, confirmando sua análise de que o país não necessita mais dos estímulos financeiros aplicados no auge da crise econômica, a autoridade monetária confirmou o fim de linhas especiais criadas para dar liquidez ao sistema.

A compra, pelo Fed, de US$ 1,25 trilhão em títulos lastreados em hipotecas garantidas por agências refinanciadoras e US$ 175 bilhões em títulos das próprias agências está chegando ao final e as últimas transações devem ocorrer até o fim deste mês. Outras operações já tinham sido extintas pelo Fed e a única remanescente - a TALF (Term Asset-Backed Securities Loan Facility, uma linha de crédito para a compra de títulos garantidos por ativos) termina em 30 de junho para garantias em hipotecas novas e 31 de março para outros tipos de garantia. " O Comitê (de Política Monetária, ou FOMC, na sigla em inglês) vai continuar a monitorar o panorama econômico e os desdobramentos financeiros e vai empregar suas ferramentas de política monetária conforme o necessário para promover a recuperação econômica e a estabilidade de preços " , diz a nota que acompanhou a decisão dos juros.

Os diretores da autoridade monetária avaliaram que as condições econômicas se fortaleceram desde janeiro e notaram aumento dos investimentos em máquinas e em software, além de sinais de estabilização no mercado de trabalho. No entanto, afirmaram que o mercado imobiliário continua enfraquecido, que o investimento em construção não residencial declinou e que o alto desemprego, o aperto na oferta de crédito e a renda deprimida continuam a limitar o consumo das famílias.

Tendo em vista essas condições ainda frágeis de recuperação econômica, " que incluem baixo nível de uso dos recursos, tendências fracas de inflação e expectativas inflacionárias estáveis " , a maioria do FOMC votou por manter a banda de juros perto de zero e avaliou que as taxas devem permanecer nesse patamar por um período extenso. Assim como na reunião anterior, de janeiro, o presidente da unidade regional do Fed em Kansas City, Thomas Hoenig, votou contra essa decisão. Para ele, manter o juro em nível tão baixo pode gerar desequilíbrio nas contas da autoridade monetária e aumentar os riscos para a recuperação sustentada da economia e para a estabilidade financeira.

(Paula Cleto | Valor)

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