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Washington, 10 fev (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, expressou hoje satisfação relativa sobre como a economia dos Estados Unidos respondeu às medidas adotadas pela autoridade monetária, o que não evitou que recebesse críticas tanto de democratas quanto de republicanos.

Em audiência na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara Baixa, Bernanke afirmou que os "programas inovadores" aplicados pelo banco central no último ano para estabilizar os mercados financeiros tiveram um certo êxito.

"Nós nos sentimos animados com a resposta a estes programas", disse o responsável do banco central.

No entanto, o funcionário encontrou um pouco de irritação entre os interpeladores, já que o Fed não respondeu, durante meses, aos pedidos de informação sobre as instituições que receberam empréstimos.

Bernanke fez referências a atribuições de emergência e, durante sua gestão, dobrou amplamente a folha de balanços do Fed, que alcança aproximadamente US$ 1,8 trilhão.

O presidente da Comissão de Serviços Financeiros, o democrata Barney Frank, criticou o poder excessivo que o Fed concentra, com o que concordou o republicano Spencer Bachus.

"Não parece muito saudável para nossa democracia que se mantenha, com poucas restrições, a quantidade de poder que agora reside nas mãos do Federal Reserve", afirmou Frank.

Bachus criticou que não tenha sido dado informação sobre os acordos aos quais o Fed chegou com companhias privadas.

"A estas alturas, sabemos muito pouco destas transações, por isso só nos resta adivinhar quando ocorrerá seu êxito ou seu fracasso", disse.

Bernanke prometeu aos legisladores que dará mais informação sobre os bancos que receberem empréstimos.

Pouco antes de Bernanke comparecer perante os legisladores, o secretário do Tesouro, Tim Geithner, deu alguns detalhes de outro plano que tentará fomentar o sistema financeiro americano.

Desde finais de 2007, quando começou uma recessão econômica que persiste hoje em dia, o Fed despejou nos bancos e mercados financeiros trilhões de dólares por meios diversos, e baixou para praticamente zero a taxa básica de juros de curto prazo, para estimular o crédito e o consumo.

Segundo Bernanke, tudo isto produziu alguma melhoria, incluindo o apaziguamento dos mercados monetários, o que ajudou a que baixassem os juros em hipotecas, e estabilizou o mercado do crédito comercial.

"Todas essas melhoras ocorreram em um período no qual as notícias econômicas foram em geral piores que o esperado e as condições em muitos mercados financeiros, incluindo os mercados de ações, pioraram", disse Bernanke.

"Nossos empréstimos às instituições financeiras, junto com as medidas tomadas por outras agências do Governo, ajudaram a relaxar as graves tensões de liquidez que muitas firmas experimentavam, e isto se refletiu em melhoras consideráveis dos empréstimos interbancários", assegurou.

Sob o plano de resgate financeiro apresentado pelo Tesouro, o banco central americano ampliará de US$ 200 bilhões a US$ 1 trilhão um programa que estende o crédito aos consumidores.

Junto a isso, a autoridade monetária comprará até US$ 600 bilhões em companhias de financiamento hipotecária respaldadas pelo Governo e em títulos lastreados em hipotecas.

O Executivo do presidente Barack Obama, resolvido a dar à economia um estímulo rápido e vigoroso, apoia o programa de ajuda ao crédito, enquanto o novo plano do Tesouro para o resgate de bancos depende substancialmente do financiamento do Fed.

Bernanke pediu ao Congresso que esclareça, por lei, o papel da autoridade monetária quando um banco de grande importância entra em crise.

Além disso, pediu que se crie um mecanismo para evitar "a falência desordenada de instituições financeiras de importância-chave para o sistema". EFE jab/db