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Fed esgota opção de recorrer a juros para reativar economia dos EUA

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 16 dez (EFE) - Em uma medida histórica, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) anunciou hoje que os juros no país oscilarão entre 0% e 0,25%, esgotando a possibilidade de recorrer à taxa básica como forma de reativar a economia.

O anúncio do Fed superou em muito as expectativas dos mercados, que esperavam um corte de 0,5 ponto percentual, até 0,5%, e foi recebido com euforia pelas bolsas de Nova York, que subiram 4,2%.

Com esta decisão, os EUA entram em terreno desconhecido em sua história, imerso em uma profunda recessão que, aparentemente, será a mais duradoura desde a Segunda Guerra Mundial, e com as mãos atadas para baratear os créditos e estimular o consumo.

Nesta situação, os analistas esperavam que o Fed, de uma forma ousada, anunciasse que aumentaria a taxa básica, ou, o que dá no mesmo, imprimiria moeda, uma prática que não era utilizada como política monetária há décadas.

Segundo o jornal "The New York Times", a autoridade monetária imprimiu cerca de US$ 1 trilhão desde setembro para conter a deterioração econômica, mas não há uma declaração oficial sobre a questão.

Os analistas esperavam que o Fed usasse eufemismos para esta medida, como "ampliar o balanço" da entidade, em referência a aumentar a base monetária, ou também o termo "quantitative easing", que nasceu exatamente no Japão, outra potência mundial que também teve que lidar com juros de 0%.

No entanto, em lugar disso, o Fed utilizou uma linguagem mais ambígua, que deixa em aberto a possibilidade de aumentar a base monetária ou inclusive outras medidas mais inovadoras, como a de emitir sua própria dívida, competindo com o próprio Tesouro americano, segundo consideram alguns analistas.

No comunicado divulgado ao fim da reunião de hoje, o Comitê de Mercado Aberto do Fed anunciou que "utilizará todos os instrumentos disponíveis para promover a recuperação do crescimento econômico sustentável e preservar a estabilidade dos preços", sem dar detalhes de quais medidas extraordinárias vai adotar.

Os preços não são um problema para o banco central americano, já que, em novembro, eles registraram a maior queda dos últimos 61 anos.

Porém, o Fed anunciou hoje que, devido às atuais condições de fraqueza econômica, "a taxa de juros estará nestes níveis excepcionalmente baixos durante algum tempo".

Na nota, a autoridade monetária usou a "deteriorada" situação econômica para justificar sua ousada decisão de não estabelecer um preço fixo ao qual os bancos devem emprestar dinheiro entre si, mas de criar uma categoria na qual oscilarão os preços.

Na prática, os bancos já estavam se emprestando dinheiro no mercado com juros em torno de 0,10%, muito abaixo do 1% oficial que o Fed fixou na reunião de 29 de outubro, o que explicaria a decisão de hoje.

O banco central iniciou, em setembro de 2007, o relaxamento de sua política monetária, quando a taxa básica de juros de curto prazo estava em 5,5%.

O último corte foi aplicado em 29 de outubro, quando baixou os juros de 1,5% para 1%.

Desde então, disse o Fed, "as condições do mercado de trabalho se deterioraram, e outros indicadores revelam que a despesa dos consumidores, o investimento empresarial e a produção industrial caíram".

"Os mercados financeiros permanecem muito oprimidos. Em conjunto, as perspectivas da atividade econômica se enfraqueceram ainda mais", ressaltou o comunicado.

O Fed tem consciência da gravidade da situação em que os Estados Unidos se encontram, e sobretudo do futuro incerto que tem diante de si, com uma recessão que levou a economia a se contrair 0,5% no terceiro trimestre do ano, e que se prolongará pelo menos durante 2009.

Hoje, em uma medida aprovada também por unanimidade, o Conselho de Presidentes aprovou uma redução de 0,75 ponto básico, até 0,5%, da taxa de desconto que o Fed cobra dos bancos pelos empréstimos que estes contraem. EFE pgp/db

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