SÃO PAULO - O cenário econômico dos Estados Unidos não se alterou muito entre a reunião do Comitê de Política Monetária (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de 25 de junho e a de hoje. O Fed continua a mostrar preocupação com os níveis de inflação, aponta riscos ao crescimento vindos da crise das hipotecas e promete monitorar os acontecimentos para garantir a expansão econômica com estabilidade de preços.

Nas duas ocasiões, como esperado pelo mercado, o FOMC deixou o juro básico do país estável em 2% ao ano. Em ambas as votações houve apenas uma dissidência dentre os 11 votantes: Richard Fisher , do Fed de Dallas, queria elevar o juro básico. Diante de tanta semelhança, o mercado interpretou o comunicado que acompanhou a decisão de hoje como um sinal de que o Fed pode vir a elevar o juro no futuro próximo, mas que a tendência maior para as próximas reuniões é de estabilidade da taxa básica.

A inflação (e suas expectativas), segundo o texto, tem sido elevada, na esteira dos aumentos de preços da energia e de commodities. Ao mesmo tempo, os formuladores da política de juros dos EUA dizem que houve crescimento da atividade no segundo trimestre, puxado em parte pelo consumo interno e pelas exportações, embora os mercados financeiros continuem sob estresse considerável e tenha havido alguma piora no mercado de trabalho.

Como riscos, o FOMC aponta o panorama para a inflação, que permanece altamente incerto, apesar da avaliação de que os índices de preços devem se moderar neste e no próximo ano. Para o crescimento, as ameaças vêm das condições mais apertadas para a concessão de crédito, da contração do mercado imobiliário e dos preços elevados do petróleo.

Embora os riscos de desaceleração do crescimento permaneçam, os riscos de alta da inflação também são uma preocupação significativa para o Comitê, diz o informe. O Fed reitera, mais uma vez, acreditar que as reduções de juro já praticadas e outras medidas para ampliar a liquidez no mercado sejam capazes de ajudar a promover o crescimento econômico moderado.

Veja a íntegra do comunicado, em inglês:
The Federal Open Market Committee decided today to keep its target for the federal funds rate at 2 percent.

Economic activity expanded in the second quarter, partly reflecting growth in consumer spending and exports. However, labor markets have softened further and financial markets remain under considerable stress. Tight credit conditions, the ongoing housing contraction, and elevated energy prices are likely to weigh on economic growth over the next few quarters. Over time, the substantial easing of monetary policy, combined with ongoing measures to foster market liquidity, should help to promote moderate economic growth.

Inflation has been high, spurred by the earlier increases in the prices of energy and some other commodities, and some indicators of inflation expectations have been elevated. The Committee expects inflation to moderate later this year and next year, but the inflation outlook remains highly uncertain.

Although downside risks to growth remain, the upside risks to inflation are also of significant concern to the Committee. The Committee will continue to monitor economic and financial developments and will act as needed to promote sustainable economic growth and price stability.

Voting for the FOMC monetary policy action were: Ben S. Bernanke, Chairman; Timothy F. Geithner, Vice Chairman; Elizabeth A. Duke; Donald L. Kohn; Randall S. Kroszner; Frederic S. Mishkin; Sandra Pianalto; Charles I. Plosser; Gary H. Stern; and Kevin M. Warsh. Voting against was Richard W. Fisher, who preferred an increase in the target for the federal funds rate at this meeting.

(Valor Online )

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