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Washington, 7 out (EFE).- O Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou hoje a formação de um fundo destinado à compra de commercial papers (notas promissórias) das empresas que ficaram sem uma fonte principal de financiamento nos mercados devido à crise financeira.

O anúncio do Fed avivou a especulação sobre a possibilidade de um rebaixamento coordenado da taxa básica de juros pelos principais bancos centrais do mundo.

O Fed anunciou a criação de um fundo de financiamento de títulos comerciais (CPFF, Commercial Paper Funding Facility), com a intenção de fornecer liquidez às empresas que emitem dívida privada, que cada vez encontram menos compradores nos mercados.

"A CPFF dará um respaldo de liquidez aos emissores americanos de títulos comerciais mediante a compra de títulos sem seguro a três meses e lastreados em ativos", disse.

Para isso, o Fed fará aquisições diretamente dos emissores.

O Departamento do Tesouro fará um depósito no Fed do distrito de Nova York para financiar o programa, disse o banco central, que pediu caráter de emergência para esta medida.

O Tesouro não afirmou qual é o montante do depósito, e o Fed não explicou que quantidade adquirirá em títulos comerciais, que centenas de empresas usam para financiar operações a curto prazo.

A inusitada medida acentuou as especulações nos mercados financeiros sobre um rebaixamento das taxas básicas de juros, possivelmente nessa mesma semana, arquitetada entre vários bancos centrais.

Os bancos centrais de Austrália e Israel já anunciaram hoje reduções inesperadas na taxa básica de juros. No caso australiano, a redução de um ponto percentual marcou o maior corte em uma só vez desde 1992.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu hoje aos Governos dos países afetados pela crise que façam intervenções "decisivas" e "rápidas" nos mercados que restabeleçam a confiança no sistema financeiro.

Ontem, o Fed, que há dez meses injeta centenas de bilhões com a expectativa de reavivar os mercados, indicou que duplicará seus leilões de empréstimos a curto prazo para os bancos em até US$ 900 bilhões.

O banco central americano jamais comprou títulos de dívida comercial e pediu a participação do Departamento do Tesouro como fiador contra qualquer perda.

Na semana passada, o mercado de títulos comerciais caiu para US$ 1,6 trilhão, nível mais baixo em três anos, quando os especuladores levaram dinheiro inclusive de empresas que pouco têm a ver com as hipotecas de alto risco.

Devido aos temores dos investidores, os bancos não emprestam dinheiro entre si, e também não emprestam dinheiro a curto prazo, o que é vital para o funcionamento cotidiano de milhões de negócios e atividades dos consumidores.

Segundo o mecanismo anunciado hoje, as empresas emissoras de títulos poderão vender ao Fed até o valor médio que tinham pendente em agosto.

A CPFF adquirirá títulos comerciais a três meses, o que deveria ajudar os emissores a estender a segurança de seus empréstimos, segundo os especialistas. EFE cma/rr