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Fed cita inflação e deixa juro em 2%

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) manteve ontem a taxa básica de juros em 2% ao ano. Embora a decisão fosse esperada pela maioria dos analistas, foi mal recebida pelos investidores.

Agência Estado |

As bolsas de valores, que no momento do anúncio (meio da tarde) ameaçavam reverter o mau humor das horas anteriores, aprofundaram as quedas.

No comunicado divulgado depois do encontro, o Fed, presidido por Ben Bernanke, reconheceu o aumento da turbulência nos mercados financeiros e o enfraquecimento da atividade econômica no país. No entanto, deixou claro que os índices de inflação ainda são preocupantes.

"A inflação tem sido alta, alimentada pelas elevações anteriores dos preços da energia e de algumas outras commodities", diz o texto. "O Comitê (de Mercado Aberto) espera que a inflação se modere mais tarde neste ano e no próximo ano, mas a perspectiva da inflação continua altamente incerta."

A avaliação sobre a decisão do Fed mudou perto do fim do pregão da Bolsa de Valores de Nova York. A manutenção do juro levantou algumas teses entre os analistas em Wall Street. A mais citada é que os membros do Fomc (sigla em inglês para Comitê de Mercado Aberto) evitaram cortar o juro por terem conhecimento de um plano que estaria sendo costurado para beneficiar a seguradora American International Group (AIG), que passa por sérias dificuldades em decorrência da exposição no mercado imobiliário.

A segunda avaliação é que o Fed estaria preferindo combater problemas de liquidez com ferramentas de liquidez (injeção de dinheiro no mercado interbancário) e deseja salvar munição de corte de juro para uma eventualidade mais para frente no ano.

"Com os eventos recentes, o Fed está tentando poupar um corte de juro para mais para frente", afirmou o economista Benjamin Garber, da Moodys Investors Service. "Quando a taxa tiver de ser alterada, o movimento será um corte e deve vir antes do fim do ano."

Garber vê o juro americano fechando 2008 em 1,5%. "Vivemos uma situação extrema, na qual a chave é a aversão ao risco. As instituições financeiras não têm mostrado muita confiança umas nas outras", completou.

O economista Robert Mellman, do Banco JP Morgan, disse não ter certeza sobre qual mensagem o Fed quis enviar ao mercado com a decisão de manter o juro no nível atual. "Acredito que o Fed está lidando com problemas de liquidez, fornecendo liquidez."

Ele acrescentou que muitos participantes do mercado financeiro avaliam que a crise atual se concentra em problemas de liquidez, mais do que em foco econômico. "Alguns acreditam que os preços mais baixos do petróleo e o alívio nos juros para hipotecas vão favorecer o mercado."

Na avaliação do economista-sênior do Bank of America, Peter Kretzmer, o Fed está tentando separar o quanto pode a decisão de política monetária de circunstâncias particulares de instituições do setor financeiro.

O economista observou, porém, que, se os problemas com as instituições financeiras levarem a um contágio maior, com claras implicações macroeconômicas, o Fed deve estar disposto a cortar o juro novamente.

Dawn Desjardins, do RBC Capital Markets, comentou que o comunicado dá pistas de que o Fed pode estar mais inclinado a reduzir o juro do que esteve no último mês.

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