Nova faixa de estimativa para o Produto Interno Bruto do país cai para expansão de 3% a 3,5% este ano, ante 3,2% a 3,7%

Assim como economistas do setor privado, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) calcula que o ritmo de crescimento econômico dos Estados Unidos diminuiu durante o segundo trimestre, segundo as atas de sua reunião mais recente divulgadas hoje.

O Comitê de Mercado Aberto do Fed, que dirige a política monetária dos EUA, decidiu em seu encontro dos dias 22 e 23 de junho que manteria as taxas de juros abaixo de 0,25%, uma política que iniciou em dezembro de 2008. No encontro, seus membros chegaram a avaliar a possibilidade de adotar medidas adicionais para estimular a economia, mas decidiram não fazê-lo por enquanto.

"O Comitê teria que considerar se são apropriadas mais políticas de estímulo se as perspectivas (econômicas) pioram de forma apreciável", dizem as atas. O Fed calcula que o ritmo de recuperação econômica no segundo trimestre seria provavelmente menor do que o estimado anteriormente. "Vários dos membros (do Comitê) percebem que os riscos de uma contração aumentaram", apontam os documentos do banco central americano.

Apesar disso, "as mudanças nas perspectivas são consideradas como relativamente modestas e não apontam um afrouxamento da política monetária além do que já está em vigor". Em seus cálculos anteriores, o Fed estimava que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceria entre 3,2% e 3,7% neste ano. Agora, o banco central calcula que o crescimento será de entre 3% e 3,5%.

A expectativa em relação ao desemprego sofreu uma leve mudança. A projeção anterior era de um índice de desemprego de entre 9,1% e 9,5% neste ano e agora, a expectativa é de um índice entre 9,2% e 9,5%.

Os membros do Comitê de Mercado Aberto viram razões para manter sua política monetária. Na projeção anterior, esperavam uma inflação de entre 1,2% e 1,5% em todo o ano de 2010, e agora calculam que estará entre 1% e 1,1%. "Acho que a política monetária não deve se afrouxar mais", disse hoje o presidente do banco do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, ao canal a cabo "CNBC".

"O Fed não pode reagir a cada notícia, e os dados que indicam uma diminuição no ritmo de recuperação devem ser encarados em perspectiva", declarou Hoenig, que defendeu um aumento das taxas de juros. Os dados das duas últimas semanas também causaram ajustes nas projeções de economistas do setor privado. A companhia Macroeconomic Advisers, que na segunda-feira passada anunciou que o PIB americano havia crescido 3,2% no segundo trimestre, disse hoje que o avanço foi de 2,1% após os últimos dados sobre comércio exterior, vendas e estoques.

O site Moody's Economy.com revisou para baixo sua projeção de crescimento no segundo trimestre de 2,9% para 2%, assim como os bancos de investimento JP Morgan (de 3,2% para 2,2%) e Barclays Capital (de 3,5% para 3%).

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