SÃO PAULO - A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) acredita que o crédito no Brasil tem condições de continuar crescendo de modo sustentável e sem riscos. Para isso, seria desejável que a taxa de crescimento do consumo doméstico fique abaixo da expansão do PIB até 2010 e que os investimentos continuem em expansão, com ajuda do crédito às empresas.


"Esse é o cenário desejável", diz Nicola Tingas, superintendente de Economia da Febraban. O economista acredita que é preciso adequar o ritmo de consumo e que concorda com a avaliação de Luciano Coutinho, presidente do BNDES, de que para ampliar o nível de investimento na economia é preciso elevar a poupança e reduzir o consumo.

"Esse comportamento", diz Tingas, "já é visível na média de projeções dos bancos colhidas pela Febraban mensalmente". No levantamento deste mês, o crescimento do consumo das famílias para este ano é projetado em 6,07% e o de 2009 estimado em 5%. "Seria uma desaceleração momentânea, para uma retomada do crescimento em 2010 em bases mais sustentadas", acrescenta.

Os comentários foram feitos nesta segunda-feira durante apresentação do cenário de evolução do crédito no Brasil. Conforme nota divulgada nesta segunda pelo Banco Central, o volume global de crédito do sistema financeiro atingiu em julho o recorde histórico de 37% do Produto Interno Bruto (PIB) a previsão do BC é de esse volume chegue ao final de 2008 a 40% do PIB. O estoque dos empréstimos acumula crescimento de 32,7% nos 12 meses findos em julho.

Integrantes do governo, bem como agentes de mercado, têm ponderado sobre os riscos atrelados à expansão do crédito em um ambiente de pressão inflacionária. Muitos comentam sobre a eventual necessidade de aperto do crédito. Tingas avalia, entretanto, que a atual fase de expansão do crédito é saudável e que os bancos estão sendo bastante cautelosos na avaliação de riscos. Além disso, ele diz que a inadimplência continua comportada, devido à melhora dos fundamentos de emprego e renda no país.

Conforme o BC, a taxa de inadimplência em atrasos superiores a 90 dias subiu 0,2 ponto na passagem de junho para julho, para 4,2% do total da carteira de crédito referencial. A alta foi puxada por operações contratadas por pessoas físicas, que saiu de 7% para 7,3%. A taxa para pessoas jurídicas ficou estável em 1,7%.

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