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Fazendas entram no radar das empresas imobiliárias em SP

São Paulo - Há três décadas, o economista Carlos Viacava, ministro da Fazenda no governo de João Figueiredo, cria gado nelore e cultiva laranja numa fazenda de mil hectares em Paulínia, a 118 quilômetros de São Paulo. De lá para cá, a cidade cresceu e a fazenda, que no passado ficava no campo, chegou muito perto do asfalto.

Agência Estado |

Resultado: os laranjais e as pastagens da família Viacava e de outros fazendeiros Brasil afora entraram no radar das empresas imobiliárias.

Assediado, Viacava fez as contas e ficou sócio da Scopel, uma das maiores empresas de loteamento do País. Até agora, já fatiou quase 300 hectares da propriedade, que já deram - ou vão dar - lugar a alguns milhares de lotes populares.

Com o forte crescimento econômico no interior do País, a melhora da renda e o aquecimento do mercado imobiliário, o asfalto tem chegado ao campo numa velocidade espantosa. "A margem de lucro de qualquer atividade agrícola é pequena, principalmente na pecuária. Quando você começa a olhar o capital empatado em terra e o retorno disso, a conta não vale a pena", diz Fernando Viacava, filho de Carlos e responsável pelos empreendimentos.

A motivação é puramente financeira: troca-se hectares por metro quadrado. E o segundo vale muito mais que o primeiro, por mais que a atividade agrícola esteja atualmente no auge. "Se fosse vender para outro fazendeiro plantar cana ou laranja, que é a vocação de Paulínia, eu ganharia quase 20 vezes menos. Nos loteamentos, você não recebe à vista, mas recebe corrigido", diz. Os Viacava não desistiram da agricultura. Com o dinheiro dos loteamentos, já compraram outra fazenda em São Paulo, mas em uma região mais barata.

A Scopel fez várias outras parcerias do gênero em 54 cidades de São Paulo. Hoje, tem 79 projetos e 48 mil lotes para lançar nos próximos três anos, praticamente o mesmo número acumulado em todos os seus 42 anos de história. "A gente é muito procurado. Recebemos dez ofertas de áreas por semana e ainda temos 50 corretores buscando terras. No próximo ano, devemos ir para outros Estados", diz Eduardo Scopel, presidente da Scopel, empresa fundada por seu pai nos anos 60 e controlada desde 2007 pelo Carlyle Group, um dos maiores fundos de participação em empresas do mundo. "A necessidade de expansão das cidades está transformando fazendas em espaços imobiliários. No interior, espaço não é problema. E nem toda cidade quer ser verticalizada", diz Scopel.

Um caminho é aproveitar as fazendas para construir condomínios de alto padrão para lazer - eles sempre existiram e vão continuar existindo. Outro é transformá-las em bairros, extensões das cidades. E esse tem sido o modelo que tem mais proliferado nos últimos tempos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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