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A forte desvalorização do real ante o dólar aumentou a preocupação do Ministério da Fazenda com a atividade econômica e a inflação em 2009. Para um membro da equipe do ministro Guido Mantega, fortes desvalorizações cambiais sempre tiveram efeito de desacelerar a economia por causar a corrosão da renda da população e, conseqüentemente, a redução do consumo e da atividade econômica.

"O câmbio alto é o maior risco, pois pressiona a inflação, reduz a renda real e tem impacto no consumo; é o canal clássico de transmissão da crise", disse a fonte. "O efeito final é o adiamento das decisões de investimento."

Considerando o dólar cotado por R$ 2,30, a desvalorização cambial é de 47,2%, tendo como base o piso de R$ 1,562 atingido entre 30 de julho e 1º de agosto. Mas o preço das commodities também têm caído bastante, contrabalançando o impacto inflacionário do câmbio.

Apesar dessa preocupação, que ajuda a explicar porque o governo tem agido para garantir liquidez externa aos exportadores, a avaliação da Fazenda é que está havendo uma correção exagerada do dólar, que não deve se sustentar.

Assim, passada a fase aguda da crise, o câmbio deve se estabilizar entre R$ 1,80 e R$ 2,00, de acordo com a conjuntura que se seguirá a esse período de maior turbulência.

Na visão da área técnica da Fazenda, o real foi, até há pouco tempo, objeto de especulação, o que levou a taxa de câmbio para perto de R$ 1,50. "Esse valor não era sustentável, mas agora houve um estouro, que não se sustenta", disse a fonte, destacando que o governo tem atuado no mercado, mas não vai "queimar reservas" para reverter a escalada da moeda.

Três fatores estão atuando neste momento para a disparada do dólar, na avaliação da Fazenda: queda das commodities, crise de confiança por conta da ameaça de recessão também na Europa e compra de dólares pelas empresas, para conter os prejuízos com a queda do real.

Mesmo com a dose maior de preocupação com o impacto do câmbio na atividade econômica, o governo ainda demonstram otimismo com o desempenho futuro do País. A razão é que o governo hoje tem "autonomia de política econômica" para enfrentar este período e, caso necessário, pode lançar mão de políticas anticíclicas, tanto fiscais como monetárias, para garantir um nível razoável de crescimento, de pelo menos 4%. A equipe econômica mantém a estimativa de crescimento de 4,5% em 2009.

O uso dos instrumentos à disposição do governo para tentar sustentar um crescimento no ano que vem, no entanto, depende da economia mundial. O cenário otimista leva em conta a recuperação dos Estados Unidos e do mundo já no segundo semestre de 2009, o que pode ajudar o governo brasileiro a evitar uma queda forte no nível de atividade. O cenário pessimista é o que considera a recuperação somente em 2010, o que exigiria mais do governo Lula para manter o ímpeto de crescimento. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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