O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou hoje que o governo está trabalhando para não deixar que a economia cresça menos do que 4% no ano que vem. Segundo ele, com condição fiscal favorável, o governo tem espaço para atuar no sentido de evitar uma grande desaceleração da economia.

Ele afirmou que, até agora, o governo atuou no sentido de garantir a liquidez e a oferta de crédito e que neste momento se debruça sobre possíveis futuras medidas para estimular a economia.

"Estamos em fase de analisar medidas de médio prazo e quais são os passos para viabilizar a manutenção do atual ciclo de crescimento em 2009 e evitar uma grande desaceleração", afirmou. "As medidas devem ser adotadas no primeiro trimestre de 2009", acrescentou Barbosa, que não informou quais seriam as medidas em estudo, embora tenha indicado que elas terão natureza fiscal.

"Estamos fazendo um cenário fiscal para o ano que vem e vamos avaliar que tipo de medidas fiscais precisarão ou não ser adotadas. Nosso objetivo é moderar o crescimento, mas não temos nenhuma medida pronta ainda", afirmou. "A fase agora é de buscar preservar a economia real", complementou.

O secretário explicou que a adoção de políticas anticíclicas será adaptada à circunstância do País, mas tem como pilar a manutenção dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dos programas sociais e a contenção dos gastos de custeio.

Barbosa previu que o crescimento econômico do País no terceiro trimestre de 2008 deve ter ficado em 5,5% ante igual período do ano passado. Ele avalia que a expansão do Brasil no fechamento do ano deverá ficar entre 5% e 5,5%.

Juros

Barbosa afirmou que a taxa de juro poderá voltar a cair no segundo semestre de 2009. "Há um movimento mundial de redução de juros. Quase todos os países do mundo caminham para taxas japonesas, ao redor de 1%. Passado o impacto inicial, este movimento (queda de juro) deve chegar ao Brasil no segundo semestre do ano que vem", afirmou ele, que participou de um evento do Comitê de Articulação Federativa promovido por entidades que congregam municípios.

Barbosa explicou que essa previsão de queda nos juros leva em conta um cenário em que a depreciação cambial será absorvida ainda no primeiro semestre do ano que vem. Segundo ele, a desvalorização do real ante o dólar tem um impacto temporário sobre a inflação. De acordo com o secretário, este impacto do câmbio na inflação leva de três a seis meses para ser absorvido depois que o câmbio se estabiliza. Mas ele não arriscou prever quando o câmbio vai se estabilizar.

O cenário de Nelson Barbosa para a redução dos juros leva em conta também o impacto da queda da inflação nos preços das commodities (matérias-primas). Segundo ele, isto já está repercutindo na inflação dos países desenvolvidos e "vai chegar ao Brasil dentro de alguns meses".

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