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SÃO PAULO - O mercado mundial de serviços de tecnologia (TI) deve crescer 9,5% neste ano, superando os US$ 819 bilhões de faturamento, projeta a consultoria Gartner.

No primeiro trimestre de 2008, os resultados dos nove maiores provedores (de serviços de TI) ficaram acima das expectativas, e vários líderes de mercado se mostraram otimistas para o restante de 2008. Adicionalmente, o contínuo declínio (na cotação) do dólar tem contribuído, e vai continuar contribuindo, para o crescimento do mercado nessa moeda, afirmou a vice-presidente de Pesquisa da consultoria, Kathryn Hale. Entretanto, no último encontro de Outsourcing do Gartner em Washington em maio deste ano, alguns fornecedores indicaram que alguns contratos de terceirização têm sido adiados e alguns projetos totalmente suspensos, acrescentou.

Segundo a consultoria, as atividades de gerenciamento de TI e de processos, as atividades de outsourcing mais tradicionais, continuam apresentando as maiores taxas de crescimento do mercado. O Gartner avalia que elas devem representar 42% dos gastos mundiais com serviços de TI neste ano. A consultoria afirma que os clientes dos fornecedores vêem esses serviços como formas eficazes de controle de custo no curto-prazo. Em conjunto, esses dois segmentos devem movimentar US$ 341,9 bilhões neste ano.

As atividades de consultoria e de desenvolvimento e integração (D & I), afirma o Gartner, continuam a crescer a taxas constantes neste ano. A demanda por esses serviços vem crescendo na mesma medida que clientes buscam projetos para reduzir custos e que possam elevar seus lucros ou faturamento. Neste ano, as duas juntas vão movimentar US$ 327 bilhões.

Apesar de esperarmos um crescimento forte e contínuo para os serviços de TI, há dois pontos que nos preocupam, disse a analista Kathryn Hale. Em primeiro lugar, a taxa de inovação na oferta de novos serviços é esporádica, para dizer o mínimo, e boas histórias de fortes retornos sobre investimentos são difíceis de aparecer. Ao mesmo tempo, a inovação nas formas de entregar o serviço não está crescendo tão rapidamente como o esperado: a industrialização está sendo adotada muito lentamente, afirma.

O segundo problema, explica, é que os fornecedores são incapazes de traduzir eficazmente em termos de valor os benefícios que seus serviços trazem para os clientes.

O resultado disso é uma mentalidade comum aos compradores que vêem a TI como um custo e escolhem os serviços pelo menor preço, diz a analista. Essa abordagem inibe a inovação necessária para que a TI 'faça a diferença' e adicione valor, além de restringir o nível de inovação que os fornecedores são capazes de oferecer.

(José Sergio Osse | Valor Online)